O Brasil está com medo de escrever
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Nunca vendeu-se tanto livro de português como no último mês. Desde que a reforma ortográfica entrou em vigor, no início deste ano, professores, estudantes e profissionais que lidam diretamente com a língua portuguesa correram até as livrarias para adquirir exemplares com as mudanças. Mas, depois do turbilhão de dúvidas que assolou - e ainda assola - a população, será que as pessoas já se acostumaram ou, ao menos, sabem o que realmente mudou?
Para o professor de português do Colégio Maxi, Dílson Catarino, é normal esse desespero inicial. ''Toda a mudança gera angústia; isso é fato. Mas como é uma reforma ortográfica, o Brasil inteiro agora tem medo de escrever. As pessoas acham que as mudanças foram maiores do que realmente são. Muitos acreditam que o hífen desapareceu, por exemplo. Contudo, a preocupação acaba sendo boa porque a população passou a se interessar um pouco mais em relação isso. E, consequentemente, passou a estudar mais. Quanto mais cultura, melhor para o país'', avaliou.
No entanto, apesar de não ser uma mudança brusca, ele acredita que alguns terão mais dificuldades. ''Para o jovem, a expectativa é de que o estudo vai ser mais fácil. O grande problema é o adulto que não está mais na escola, que já terminou a faculdade ou, mesmo fazendo faculdade, não tem mais contato com a gramática da língua portuguesa. Nesse caso, a reforma é problemática porque ele vai ter de procurar nos livros e estudar novamente para saber o que mudou. A recomedação é: seja curioso; vá atrás para saber o que aconteceu'', diz ele, que possui uma página na internet (www.gramaticaonline.com.br) com todas as informações sobre a reforma.
Em relação ao preparo dos professores e das escolas para a mudança, o professor é categórico. ''Nós não deveríamos nos preocupar com as escolas, afinal, é onde esse estudo está aprofundado. Acredito que todos os professores de português, sejam eles de escolas públicas ou particulares, devem estar agora pesquisando a reforma e as novas regras para entrar na sala de aula sabendo o que vão ensinar aos alunos. É uma necessidade intrínseca do professor.''
Ainda segundo ele, a reforma deve ser um processo sem grandes problemas, assim como foi a última, em 1971. ''De certa forma, as mudanças já sendo estão incorporadas. Até porque muitos jornais estão seguindo a reforma. Além disso, os novos alunos estudarão pelas novas regras. Agora, a incorporação total jamais vai acontecer. O cidadão que não pesquisar, vai continuar acentuando a palavra 'ideia' até o último dia de sua vida. A incorporação depende disso, da curiosidade e do esforço do povo. Ao mesmo tempo, os pais também têm que se esforçar para poder ensinar os filhos. Não podem deixar tudo na mão do professor'', argumentou Catarino.


