O bicho é meu e eu faço o que quiser, dizem os donos
Quase todo dia, Iracema Prado recebe e vai conferir denúncias de maus tratos contra animais, na maioria cachorros ou cavalos usados para puxar carroça. São animais passando fome e sede, amarrados expostos ao sol ou à chuva ou castigados com crueldade. O mais triste é que a maioria é maltratada pelo próprio dono, diz Iracema. A frase que ela mais houve dos donos quando vai conferir as denúncias: O bicho é meu e eu faço o que quiser.
A professora já perdeu a conta das denúncias que fez à polícia e ao Ministério Público, mas até agora não conseguiu que ninguém fosse condenado devido à falta de provas. As testemunhas geralmente são vizinhos ou conhecidos que não querem se envolver. Nos últimos meses, ela denunciou um carroceiro que abandonou um cavalo com a pata quebrada para morrer à mingua e alguns mendigos que se divertiam com uma cachorrinha na rodoviária, queimando os olhos dela com pontas de cigarro aceso. A cadela que agora está no abrigo teve um dos olhos perfurados.
Defensora ferrenha de animais domésticos abandonados, a professora Iracema pretende se aposentar este ano para se dedicar somente à causa. Além de recolher cães e gatos, ela tenta encontrar novos donos para eles. Entretanto, só entrega o animal depois de investigar muito e tiver certeza que o interessado gosta de animais e vai cuidar bem. Mesmo depois de concretizada a adoção, ela continua fazendo visitas para rever o animal e conferir se está tudo bem. Se não, leva o bicho de volta para o abrigo.
Trabalhando com Iracema há 4 anos, Ilza dos Santos também adora animais. É ela quem prepara e serve mais de 60 quilos de comida todo dia, trata dos animais doentes e mantém o abrigo limpo. Ela cuida deles melhor que eu, elogia Iracema. A professora ainda mantém alguns animais em sua casa, mas não revela quantos. Os aleijados, cegos ou muito doentes que precisam de cuidados redobrados eu levo para lá.





