O apertado sonho da casa própria
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Na pequena sala da casa de 29 metros quadrados dona Elenida acomoda geladeira, fogão e os utensílios que usa para o preparo das refeições da família. Também é ali que, à noite, o sofá se transforma em cama para o filho mais velho. A residência localizada no Jardim Primavera (Zona Norte de Londrina) está entre as últimas entregues pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), em agosto do ano passado, e também entre as menores. A dona de casa está entre os habitantes da região que antes moravam irregularmente, em área de preservação ambiental, e apesar da precariedade que vivia em seu barraco, garante que desfrutava de mais espaço.
''Antes a minha casa tinha três quartos, hoje a gente tem que se acomodar em apenas um quarto e na sala'', conta Elenida Duarte dos Santos, que dorme com o marido e quatro dos cinco filhos no quarto de dez metros quadrados. Para acomodar os adolescentes, colchões são amontoados pelo chão. ''Foi difícil para a gente se adaptar. Quando nós mudamos, eu tive que deixar a pia da cozinha e a mesa do lado de fora da casa. Com o tempo estragou tudo'', revela a dona de casa, que sonha em ter uma residência com uma boa cozinha e onde os filhos tenham seus quartos. Por enquanto, porém, o único ''luxo'' é o pequeno jardim à frente da casa, onde ela plantou uma roseira de flores vermelhas, margaridas, arruda, hortelã e um pé de couve.
A poucos metros dali, o faxineiro desempregado Eliezer Pires Duarte também sente saudade da antiga casa na invasão do Conjunto Maria Cecília. ''Lá a gente tinha dois quartos, sala, cozinha, banheiro e até uma área na frente. Saí de lá na marra, não queria. Se eu pudesse escolher, iria querer uma casa que tivesse pelo menos dois quartos. Com 53 anos de vida, esta é a menor casa que já morei'', queixa-se. Ao lado do sofá, onde ele recebe a reportagem, há uma cama em que o filho caçula, de 21 anos, dorme. O faxineiro também não esconde a insatisfação com a falta de qualidade da construção. ''Não tem forro, e quando chove molha tudo dentro'', explica.
Deficit
O presidente da Cohab-Ld, João Verçosa, discorda que a maioria dos beneficiados pelos programas de habitação passe a viver em espaços menores. ''Aqueles que antes viviam em casas maiores é porque compraram o barraco de alguém que já vivia na área irregular e melhoraram a construção. Na grande maioria dos casos, nas invasões recentes, a metragem das habitações fica entre 15 e 20 metros quadrados.''
Verçosa reconhece que as casas construídas pelo poder público são pequenas, mas lembra que o deficit habitacional é muito grande e não há dinheiro para construir tantas casas em tamanho maior. ''Hoje há 33 mil inscritos na Cohab de Londrina; 13 mil se inscreveram a partir de abril, quando o governo federal anunciou o programa Minha Casa, Minha Vida'', revela.
Além disso, segundo ele, não há como comparar o ganho em termos de qualidade de vida. ''Essas pessoas passam a viver com infraestrutura básica, têm um endereço e condição digna de vida. É uma mudança da água para o vinho, pois antes moravam em um local que nunca seria regularizado. Hoje têm a casa delas'', argumenta.
No caso do Jardim Primavera, ele lembra que foram casas construídas pelo Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e entregues gratuitamente. Já as casas do Minha Casa, Minha Vida terão 35 metros quadrados (dois quartos, sala, cozinha e banheiro) e a maior parte da construção subsidiada pelo governo. ''Toda a construção, incluindo infraestrutura e saneamento básico, terá um custo de R$ 41 mil. Cada família vai pagar de R$ 50 a 10% da renda, por mês, durante dez anos'', explica.


