Psicóloga especialista em análise do comportamento, Simone Martin Oliani avalia que o ritmo de vida da sociedade atual favorece o comportamento de aproximação com os bichos Ela detalha que fatores como encolhimento das famílias, crescimento do número de pessoas que moram sozinhas e o processo natural de amadurecimento e independência dos filhos faz com que cada vez mais pessoas adotem animais de estimação e que estes se tornem seus companheiros
''Além disso, não podemos deixar de considerar que muitas pessoas têm dificuldade em relacionamento interpessoal ou sofreram perdas significativas e veem no cão um amigo fiel e afetuoso'', complementa a psicóloga
Para Simone, estipular a partir de quando a relação entre o animal e o dono pode ser patológico é algo complexo, porque não existe uma linha divisória clara ''Precisamos considerar as dificuldades pessoais de relacionamento social, extrapolação de relações afetivas humanas, como se o bicho de estimação tivesse sentimentos iguais ao dono, as limitações de vida social, lazer e até profissional'', analisa
No entanto, a psicóloga alerta que é preciso estar atento quando a família ou os amigos passam a sinalizar, ao proprietário do animal, que existe algo de errado na relação ''É comum verificarmos que, em determinados lares, o cão domina o ambiente e o dono, por isso é importante que o animal saiba quem é que lidera aquele espaço'', observa
Simone aconselha que quando os cuidados com os pets tornam-se exagerados, o ideal é que o proprietário procure uma terapia comportamental para entender o que fez buscar emoções intensas na relação com o animal de estimação e não com outras pessoas ''Isso pode ter sido desencadeado por decepções na vida ou pela pessoa não ter adquirido a habilidade de se relacionar socialmente Com a terapia, ela poderá aproveitar o melhor do que a companhia de um cãozinho pode trazer '' (F C)

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