O amor romântico em crise
Se é na poesia que estão as mais robustas considerações sobre o que é o amor, a reportagem foi ouvir um poeta sobre o assunto. ''O amor romântico passa por uma crise, que está muito ligada à visão quase religiosa que se tem, derivada da caridade. Nessa perspectiva, o homem e a mulher têm que formar uma unidade mas a relação amorosa hoje passa por uma relação de troca mercadológica'', avalia o poeta e dramaturgo londrinense, Maurício Arruda Mendonça.
Mendonça comenta que a substituição da visão focada na construção de projetos comuns por uma outra, baseada simplesmente no desejo físico, tende a tornar os relacionamentos cada vez mais curtos, quase instantâneos, onde as responsabilidades não são evidentes. ''O maior medo dos jovens hoje é o da desconexão e um caso de amor também acabou virando uma dessas conexões que se faz'', completa o escritor. E os meios de comunicação, continua, reforçam essa perspectiva ''vendendo'' relacionamentos centrados essencialmente na atração física. Hoje, aponta o poeta, o amor romântico idealizado se esfacelou.
Mesmo assim, Mendonça observa que o amor continua sendo a causa do mundo, ''amor e vida são a mesma coisa''. ''O amor é um imperativo, pois não se tem como impedi-lo. Não há outro remédio senão aceitar. O amor não acaba, não piora nem melhora. É da sua natureza estar implicado numa falta, numa necessidade de preenchimento'', finaliza o poeta.





