Sexta-feira 13, amanhã, entre outras superstições e crendices, é dia de defumar a casa com réstia seca de alho e mandar os maus espíritos pra casa do capeta. Outros, além disso, não colocarão os pés fora de casa sem antes dar uma apalpada e conferir se os 3 dentes de alho estão no fundo do bolso.
Ainda na área do sobrenatural, quem é que já não viu, nos filmes de terror, cabeças de alho penduradas nas casas a fim de espantar vampiros, lobisomens e assemelhados. Mas, acredite você ou não nessas ‘‘bobagens’’, numa coisa todos concordam: o alho é do Peru!
Do peru, do frango, do porco, do pato, do boi, do carneiro e de tudo que é bicho que se come. Tem gente que perde até a vontade de cozinhar se falta alho na hora de temperar a comida.
Esses podem até duvidar dos poderes sobrenaturais da especiaria, mas não conseguem imaginar o feijão sem aquele cheirinho delicioso. Tempero preferido de dez entre dez cozinheiros ou cozinheiras, o alho, apesar do bafo temido que causa, é item obrigatório em qualquer relação de compra que se faça.
Mas, além de campeão dos temperos, o dentuço também faz sucesso no meio do povo que, há muito tempo, se auto-medica com a planta, vendo nela um excelente remédio para uma série de males que vão desde a pressão alta à - ora viva! - impotência sexual. E quem garante são os próprios vendedores de alho, ambulantes que, como outros de outros ramos, infestam o centro da Cidade neste final de ano.
Nacional, chinês ou argentino. Esses são os alhos encontrados no mercado ambulante. Atualmente, o chinês está rareando e já entra em cena o argentino - os dois são os preferidos dos consumidores já que os seus dentes, ao contrário do alho nacional, são grandes e fáceis de descascar.
‘‘O brasileiro é um alho bom, mais forte, mais cheiroso, mas é muito miudinho. As senhoras não gostam porque gasta muito tempo para descascar’’, observa o aposentado Antonio Frizzo, 57 anos, há quatro vendendo alho. Sentado na esquina das ruas Pio XII e Pernambuco, Frizzo diz que aprecia o alho como alimento, mas o que ele alardeia mesmo são as propriedades medicinais do produto.
‘‘O alho é bom para controlar a pressão, para os problemas do coração, para circulação do sangue e, se for usado bem no princípio, acaba com a gripe’’, garante Frizzo, contando que se tornou adepto do alho há cerca de três anos, quando teve um derrame e o próprio médico o aconselhou a tomar, todos os dias, ao se levantar, um copo de água com 3 dentes de alho amassado, previamente preparado na noite anterior.
Na esquina das ruas Sergipe e Professor João Cândido, Carlos Figueiredo de Souza, 22 anos, está cuidando da banca de alho chinês enquanto a proprietária saiu para almoçar. Sem entender muito do riscado, Carlos diz que não vê muita diferença - ‘‘Alho é tudo igual’’ - entre os produtos. Mas arrisca um palpite: ‘‘Além de tempero, serve pra remédio, mas não sei pra que doença, não’’.
‘‘Em matéria sanguínea, o alho é o primeirão’’, sustenta Antonio Frizzo. E depois de dizer que, ‘‘se o freguês quiser’’, vende alho descascado, além de vender o tempero já pronto que a mulher prepara em casa, Frizzo segreda: ‘‘Nas farmácias, tem até comprimido de alho pra levantar (faz gesto com a mão) o...’’. Não é necessário completar a rima, não é mesmo?

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