O agredido
pode se tornar
um agressor
O que leva um pai a agredir a mãe ou os filhos? Por que uma mãe chega ao ponto de maltratar suas crianças? Segundo a psicóloga Mari Nilza Ferrari de Barros, professora do departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pode ser que o agressor sofra de algum distúrbio. Mas em 90% dos casos, afirma a profissional, o agressor foi no passado também vítima do mesmo tipo de violência que passa a cometer. ‘‘É um círculo que vai se perpetuando’’, acrescenta Mari Nilza Ferrari de Barros. ‘‘Como dizia Paulo Freire (educador), quem é oprimido quando tem oportunidade vira opressor.’’
Para o presidente da Associação Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência (Abrapia), Lauro Monteiro Filho, o círculo mencionado por Mari Nilza pode formar outro ciclo: a criança que sofre violência em casa vai praticá-la na rua.
A entidade tem sede no Rio de Janeiro, onde Monteiro Filho é diretor-clínico do Hospital Souza Aguiar. No final do ano passado, o médico proferiu palestra sobre violência doméstica contra a criança e o adolescente, em Londrina, a convite do grupo de estudos sobre o tema formado na cidade. Na opinião de Monteiro Filho, uma simples palmada nas nádegas de uma criança pode transformar-se em uma gravíssima agressão contra ela.
Semanas depois da palestra do presidente da Abrapia em Londrina, a Folha publicou uma entrevista com o secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, que defende posição semelhante a de Monteiro Filho. Ao comentar sobre as possíveis causas da violência que chega aos estabelecimentos de ensino, José Gregori disse que, em grande parte, ‘‘a violência que acontece nas escolas vem ou da rua ou das casas’’. (W.O.)

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