O adeus à mãe das crianças brasileiras
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domingo, 17 de janeiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Foi enterrado ontem, em Curitiba, o corpo da médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. Depois de mais de 30 horas de homenagens à missionária, familiares, amigos, voluntários da Pastoral e autoridades de todo o Brasil se despediram em uma missa de corpo presente realizada no Palácio das Araucárias, sede do Governo do Paraná. O sepultamento foi realizado em cerimônia restrita a familiares no Cemitério Municipal do Água Verde. A estimativa da Coordenação da Pastoral é que mais de cinco mil pessoas tenham ido ao Palácio acompanhar o velório.
No final da manhã, os filhos e netos da doutora Zilda se reuniram para agradecer a atenção e a solidariedade de todos pela morte da médica. A fundadora da Pastoral tinha cinco filhos - uma das quais morreu há seis anos - e dez netos. A neta Caroline, filha de Rubens Arns, lembrou que ''tudo nela era especial''. ''Para nós, ela ainda está viajando e vai voltar'', disse.
Já Edward, também filho de Rubens, lembrou da avó que o incentivava. ''Ela procurava nos ensinar a comer fruta todos os dias e a praticar esportes'', disse. Para lembrar da avó, os netos cantaram a oração preferida dela nas refeições. Rogério Arns, filho de Zilda, aproveitou para agradecer todas as manifestações de carinho recebidas pela família. ''Ela amava todos os voluntários da Pastoral'', delcarou.
O adeus à Zilda Arns foi marcado pela emoção de quem veio de longe para homenageá-la. Gente como as 80 voluntárias da Pastoral da Criança da Arquidiocese de Londrina. Sem condições de pagar o transporte até Curitiba, o grupo contou com a solidariedade de empresários que cederam dois ônibus para a viagem.
''Saímos de Londrina às 23h30 e chegamos aqui pouco depois das 7h30'', conta a coordenadora diocesana da Arquidiocese de Londrina, Maria Brigida Sampaio de Souza. O grupo acompanhou a missa em homenagem à doutora Zilda. Para garantir o almoço de todos, sanduíches, café e sucos foram trazidos de casa.
A caravana, uma das muitas que chegaram à Curitiba ontem, foi recebida pela sobrinha de Zilda Arns, Caroline. Emocionadas, elas se reuniram em torno do caixão segurando uma faixa na qual homenageavam a médica. ''Queríamos ficar perto dela nem que fosse por apenas um segundo'', disse a coordenadora paroquial de Florestópolis, Eunice Vicente Cardoso, que participa da Pastoral desde a primeira reunião realizada na cidade, há 26 anos. ''Com ela aprendemos que a força de uma líder vem da mística porque ninguém pode dar o que não tem'', destacou. Segundo Eunice, a homenagem feita pelas voluntárias foi ''simples como é o trabalho da Pastoral''.
Também estiveram no Palácio das Araucárias ontem diversas autoridades e representantes da Igreja Católica. A senadora Marina Silva (PV) chegou ao local no fim da manhã. ''As sementes que ela lançou sobre a terra vão dar novas árvores e frutos'', declarou. Marina comparou a morte de Zilda com a do ativista ambiental Chico Mendes em 1988. ''Na época, houve uma sensação de desamparo. Mas percebemos que todos tínhamos que fazer o que ele fazia'', completou.


