Manhã ensolarada de domingo, Dia dos Pais. O último adeus a João Milanez, um dos fundadores da Folha de Londrina, contou com a presença de familiares, amigos e políticos locais. Milanez morreu no sábado, às 8h30. Estava internado há vários dias e não resistiu a um quadro infeccioso pulmonar que evoluiu para falência de órgãos.
Durante o sepultamento, os comentários eram sobre a trajetória de um homem simples que fez história na cidade. Não faltaram depoimentos emocionados como o da cuidadora Rosimaire dos Santos, que há sete anos convivia dia e noite com Milanez. ''Ele foi o pai que eu não tive; um homem que me ensinou muitas coisas boas. Não fazia distinção com ninguém. Só quem morava com ele sabia de sua simplicidade. Chamava-o de ''Amigão'' e ele, carinhosamente, me chamava de ''Diretora''. Agora, só vão ficar as saudades.''
O irmão e parceiro das ''terças de baralho'', Ferdinando Milanez, lembra com gratidão de João Milanez. ''Para mim ele foi pai, mãe, irmão. Foi ele quem me trouxe a Londrina e me deu a oportunidade de trabalhar e me realizar.
Muito emocionado, o filho, João Rodrigo Milanez, disse o que o pai deixou como lição de vida. ''São três coisas que eu gostaria de destacar: a coragem dele, um homem que veio da roça e que chegou aonde ele chegou; a humildade, pois tratava todo mundo igual, e a honestidade. Um homem de quem as pessoas só têm boas lembranças.''
Antes de sair para o cortejo, algumas pessoas prestaram homenagens, como o pastor João Marcos Martins Ribeiro, que fez um discurso sobre fé. ''Ele teve fé em si mesmo e na cidade. Ele acreditou que podia construir algo melhor. Com seu exemplo, podemos acreditar que as pessoas, por meio do seu trabalho e sua fé, podem chegar a algum lugar.''
Em seu sepultamento, no Parque das Oliveiras ontem de manhã, o filho pediu que todos tivessem na memória a alegria e a coragem, que caracterizavam Milanez. Lembrou ainda dos mais diversos bordões do pai. ''Vai com Deus, meu ''veiaco''; ''vamos, molenga''; ''viva, viva''. E assim, João Milanez se foi.

mockup