Consumir vegetais orgânicos e ingerir doses extras de vitaminas, minerais, lactobacilos vivos e água em abundância pelo resto da vida. Esta é a combinação ideal para se enfrentar os males da contaminação dos alimentos por agrotóxico, segundo Tsutomu Higashi – médico pesquisador em terapia ortomolecular, patologista clínico, nutrologia médica e homeopatia – palestrante de ontem da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho da Sinamed.
Base da ecomedicina ou medicina do meio ambiente, ramo emergente na Europa e nos Estados Unidos, as idéias defendidas por Higashi estão ganhando força na comunidade médica e deverão ser discutidas no Congresso Brasileiro de Medicina Unificada, que reunirá homeopatas e acupunturistas, além dos profissionais da medicina ortomolecular. ‘‘Não há muito o que fazer para se evitar a ingestão de substâncias tóxicas. Lavar os alimentos é bom, mas tem pouco efeito. Elas estão por toda parte e não existem métodos de monitoramento eficazes para combatê-las’’, sustenta Higashi.
Na pesquisa que será divulgada durante o congresso, 73% das 110 pessoas analisadas apresentavam contaminação com lindane, espécie de defensivo banido há 20 anos pelos órgãos oficiais de controle. Cerca de 53% estavam contaminados pelo herbicida 2-4-D. ‘‘O governo deveria coibir a produção de substâncias que não podem ser monitoradas’’, defende.
De acordo com o especialista, com a industrialização e a modernização agrícola do pós-guerra, o homem está exposto diariamente a 500 mil substâncias tóxicas. Muitas dessas substâncias se concentram no tubo digestivo através da respiração e da alimentação. ‘‘Isto explica a frequência cada vez maior de problemas digestivos como a prisão de ventre’’.
O médico acredita que a contaminação não origina as patologias, mas funcionaria como um ‘‘gatilho’’ para o desenvolvimento de muitas doenças, entre elas o stress. A contaminação do solo faz com que os alimentos percam os nutrientes. A combinação provoca a fragilização do sistema imunológico. Os agrotóxicos, mesmo em quantidades mínimas, causam alterações nos componentes genéticos, que podem significar o aumento no número de pessoas que sofrerão com câncer nas próximas gerações.
Disfunções hormonais e a incidência cada vez maior de menarcas (primeira menstruação) precoces podem estar ligados a ingestão de vegetais e carnes (o gado se alimenta com pasto contaminado) com substâncias nocivas.
Higashi acredita que o baixo consumo de cápsulas de lactobacilos vivos, vitaminas C, E, B2, zinco, cobre, manganês e magnésio – receitados como eficientes neutralizantes à contaminação e encontrados em qualquer farmácia de manipulação, está relacionado à falta de interesse comercial dos grandes laboratórios da indústria farmacêutica e química, já que estes tipos de substâncias não podem ser patenteadas.

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