Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) realizou ontem uma exumação e coletou materiais para a confirmar se o corpo enterrado em agosto de 2005 é de Márcio Victor Ferreira. A corporação investiga um possível golpe à empresa de seguros para o recebimento de R$ 350 mil. O resultado do exame de DNA ficará pronto entre 20 e 30 dias. ''Se esclarecer que realmente é o corpo de Ferreira, o inquérito será arquivado. Se não, é uma fraude e teremos outros desdobramentos'', explica o delegado do Nurce, Sivanei de Almeida Gomes. O Nurce foi procurado pela seguradora, que desconfiou dos documentos apresentados no pedido de indenização em nome de Ferreira, na época com 26 anos.
Familiares contaram, em depoimento à polícia, que Ferreira desapareceu no dia 20 de agosto de 2005. No mesmo dia, um homem sem identificação deu entrada no Hospital de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde Ferreira morava. Ele morreu dias depois. Familiares não reconheceram o corpo, que foi enterrado como indigente no dia 7 de outubro de 2005, no Cemitério Parque São Pedro, na Capital.
Em 27 de setembro de 2007, foi formalizada a identidade do cadáver como sendo Márcio Victor Ferreira, por meio de um laudo necropapiloscópico, que analisa as impressões digitais. No mesmo período, um documento em nome de Ferreira e supostamente assinado por ele foi encaminhado à seguradora solicitando mudança de endereço para correspondências.
Após a liberação da identificação, em 2008, a ex-esposa de Ferreira, Tatiana Diacovo, entrou com um pedido de indenização junto à seguradora. Mesmo após o desaparecimento do ex-marido, ela continuou pagando as parcelas do serviço, da qual é beneficiária. Em relação à suposta assinatura do ex-marido em um documento entregue após a morte, ela garante que não se trata de Ferreira. ''É de um corretor da seguradora, que mudou de endereço e me entregava os boletos.''
A exumação de ontem foi o terceiro procedimento para verificar irregularidades no pagamento de seguros, com o sepultamento de indigentes. Nas exumações anteriores, realizadas no ano passado, a tentativa de golpe foi comprovada e entre os presos estavam funcionários do IML.

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