As duas cenas são de provocar inveja em quem é obrigado a bater ponto às seis horas da tarde em todos os dias da semana (ou seja, porcentagem majoritária dos brasileiros): grupos de amigos reunidos em mesas de bar em pleno horário de expediente e senhores pescando despreocupadamente às margens do Igapó. Estes são os poucos que têm a oportunidade de aproveitar o lado bom do inverno quente que Londrina atravessa.
''Não tenho nada para fazer, o negócio é aproveitar esse calor. Mas não acho tão bom que o inverno esteja assim, se em agosto a temperatura está desse jeito, imagina no próximo verão'', diz o aposentado Aúreo Natalino, flagrado numa pescaria às 15 horas de uma segunda-feira. Os estudantes Sérgio Arade e Alex Pavanelli, que se refrescavam no mesmo horário na base da cerveja, estranham o clima. ''Nunca vi fazer esse tempo em Londrina no inverno. A estação era regular, fazia frio até os últimos dias. Desde que começaram a falar no El NiÀo, o clima ficou anormal'', afirma Sérgio.
O estudante Thiago Bertoncini diz que as altas temperaturas inesperadas fizeram com que ele mudasse alguns hábitos. ''Estou fazendo mais exercício, quando o normal seria que, com aquele frio de inverno, eu ficasse em casa debaixo das cobertas'', explica.
Como resultado do clima, o Calçadão de Londrina assiste um desfile de figurinos bem incomum para os meses de julho e agosto. Saem as blusas de lã, luvas e calças de moleton, entram as saias, bermudas e camisas regata, que, não raro, acabam enganando muita gente. ''Fica até difícil saber o que vestir. De manhã, faz um friozinho, e à tarde, já está aquele calor'', finaliza a estudante Ana Carolina Rosinski.

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