Nunca resisto a uma oferta
A jornalista curitibana M.A., que prefere não ser identificada, não pode ver uma oferta de produto estampada em vitrines de lojas. Tenho compulsão pelo consumo de roupas, sapatos e objetos de decoração. Não resisto a uma oferta - de qualquer coisa. Na hora, acho que algum dia vou precisar daquilo e compro, conta ela, que tem várias roupas com etiquetas (e, portanto, nunca usadas) no armário do quarto.
Nos shoppings, alguns vendedores que já a conhecem carregam ela para dentro das lojas. Quando estou feliz, animada, só penso em comprar, comprar, comprar. Em algumas épocas, quando precisava comprar um presente para alguém, ficava tão entusiasmada quando entrava na loja que comprava um monte de coisas para mim e acabava esquecendo do presente, observa.
M. já experimentou até sair de casa sem cartão de crédito, mas a estratégia também foi por água abaixo. Deixava o produto encomendado na loja e ia buscar no dia seguinte. Em casa, ela teve que trocar de guarda-roupa - teve que comprar um maior para armazenar todas as suas aquisições.
Para ela, o consumismo exagerado pode estar relacionado a algum problema psicológico. Tenho consciência que é uma forma de compensação para alguma coisa, mas na hora não percebo, comenta.
Quando o desejo por novas roupas diminui, aumenta a vontade de adquirir adereços para a casa. Depois que compro, vejo que nada combina com nada. Cheguei a comprar uma fruteira imensa que não coube na cozinha e está até hoje embalada na casa da minha irmã.
A jornalista lembra que todo início de ano estabelece metas de comprar só coisas úteis, mas com o passar dos meses ela acaba esquecendo dos objetivos.
Nos dois últimos meses, ela extrapolou o limite do cheque especial. Depois disso, M. diz que tem tentado se controlar. Já estou me sentido orgulhosa de ir ao shopping sem comprar nada. (G.P.)





