''Nunca perdi a vontade de viver'', diz vítima de explosão em açougue
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quando Ailton Abuquerque Júlio, 33 anos, estacionou seu carro em frente à sua loja de carnes na rua Santos (centro de Londrina), por volta das 13 horas do dia 15 de junho do ano passado, jamais imaginava que uma tragédia estava para acontecer: ''Cheguei de uma entrega, estacionei o carro e já escutei o barulho do vazamento de gás. Entrei e fui com o Franklin (da Cruz Gonzaga, empregado do açougue) até a cozinha tentar conter o vazamento. Foi aí que minha irmã gritou para eu sair porque tudo estava pegando fogo.''
Na saída, Júlio e o amigo acabaram se encontrando de frente com as chamas, que vinham de fora para dentro. Ele teve 62% do corpo ferido por queimaduras de 3º grau. O microempresário foi transferido no dia seguinte para a ala de queimados do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP), em Ribeirão Preto (SP), onde permaneceu por 101 dias. Suas chances de sobrevivência eram de apenas 5%. ''Desde o momento que aconteceu, sempre pedi pela misericórdia Divina e nunca perdi a vontade de viver'', diz.
A outra vítima, Franklin, foi atingida em mais de 70% do corpo. Ele chegou a ser transferido para o Hospital Evangélico, em Curitiba, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 23 de junho. O Evangélico é o único do Paraná que conta com ala para queimados. ''O novo governo precisa investir nisso. Poucos leitos aqui já ajudariam bastante'', comenta o microempresário.
O acidente comoveu os londrinenses, que ajudaram com donativos. Júlio agradece a colaboração e lembra que os recursos arrecadados ainda o ajudam a cobrir os gastos com o tratamento. O microempresário faz duas sessões diárias de fisioterapia e, periodicamente, precisa retornar a Ribeirão Preto.
Mas, para curar as muitas feridas que continuam abertas pelo seu corpo, ele conta com algo muito mais precioso do que o tratamento médico: o apoio da esposa Telma, 31 anos, dos filhos Lucas, de oito anos, e Gabriel, de 4 anos, e do restante da família. Quando fala dos filhos, Júlio não suporta a emoção. Em virtude da gravidade dos ferimentos, ele passou 75 dias sem ver as crianças: ''Quando pude olhar para eles, foi o dia mais feliz da minha vida.''


