‘Nunca imaginei passar por isto’
‘‘Eu me sinto péssima com tudo o que aconteceu. Nunca imaginei passar por uma situação destas. Ainda mais com um médico’’, desabafa M.A.B., 31 anos, auxiliar de odontologia. ‘‘A vontade que eu tive foi de bater nele, bater até machucar’’, revolta-se.
M.A.B., uma morena bonita, foi vítima de assédio sexual por parte de um colega de trabalho em um posto de saúde de Londrina. O assédio aconteceu no dia em que ela precisou de uma consulta por causa de dor de garganta. Para ela, o problema começou quando entrou no consultório. ‘‘Deixei a porta aberta já que era só para examinar a garganta. Ele fechou. Eu abri novamente. Ele disse: Se quisesse te estuprar, te levaria para um motel’’, recorda. ‘‘Eu disse que não estava gostando da brincadeira e pedi para ele parar’’, conta.
O médico, porém, teria prosseguido com comentários maliciosos. ‘‘Ele segurou minha cabeça com as duas mãos, chegou bem perto e falou: que boca gostosa você tem’’. A auxiliar lembra que empurrou o médico e tentou sair do consultório. ‘‘Aí ele me disse que iria receitar uma injeção e que eu podia tomar no posto mesmo’’.
Com a receita, M.A.B. pediu para uma auxiliar de enfermagem aplicar a injeção. ‘‘Nós estávamos no banheiro e ele chegou fazendo comentários do tipo ‘‘pena que perdi’’.
‘‘Quando eu estava saindo, ele passou a mão nas minhas nádegas’’, recorda M.A.B. Furiosa, diz que seguiu para a cozinha, onde se encontravam outras pessoas. ‘‘Só que ele foi atrás, dizendo: Gata, vamos para um motel, mas você paga’’. A auxiliar diz que tornou a pedir ao médico que parasse com os comentários. ‘‘Ele virou para mim e, no meio de todo mundo, disse: agora fica se fazendo de difícil, mas no meu consultório você estava me cantando. Ele tentou me constranger’’, indigna-se.
M.A.B. procurou a coordenadora do posto para se queixar e foi convencida a fazer a queixa por escrito. O médico já havia sido denunciado por outras mulheres e acabou exonerado do serviço público. (T.E)

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