Nunca é tarde para aprender
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísica (IBGE) divulgou dados sobre o analfabetismo no país. A pesquisa ''Síntese de Indicadores Sociais 2012'' apontou que apesar da taxa de analfabetismo ter caído no Brasil nos últimos dez anos, ainda atinge um quarto dos brasileiros com mais de 60 anos. Isso representa 24,8% de analfabetos nessa camada da população.
De acordo com a pesquisa, a proporção de pessoas com 15 anos ou mais que não sabia ler nem escrever caiu de 12,1%, em 2001 para 8,6% em 2011. Na região Nordeste, do total da população acima de 15 anos, 16,9% eram analfabetos e na região Norte, o índice chegou a 10,2%, e nas áreas rurais do país, a 21,2%.
''No percentual de 15 anos de idade para baixo, o Brasil vem atingindo resultados expressivos. As crianças de hoje estão muito mais alfabetizadas do que as de 20 ou 30 anos atrás. O problema é no grupo de 45 anos ou mais, nas regiões Norte e Nordeste. É dificílimo pegar o homem do campo, que trabalha durante o dia, e fazer com que ele se desloque para a escola. É um grande desafio alfabetizar essas pessoas adultas. Qualquer que seja o método, é preciso ter um professor bem formado, mas é difícil recrutar bons alfabetizadores, porque o salário pago é muito baixo.'', observa o educador Mozart Neves Ramos, membro do conselho de governança da organização civil Todos pela Educação.
A chefe do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a mestre em Educação Maria das Graças Ferreira, considera que o anafalbetismo é uma questão de possibilidades de entrada na escola e de sucesso dentro dela. ''Hoje, as possibilidades são maiores, mas ainda existe uma preocupação sobre a condição do aluno ao sair da escola. Isso pode ser definidor no processo de escolarização do sujeito no futuro'', comenta, ao fazer referência ao índice geral de analfabetismo.
Limitações
Com experiência no ensino de jovens e adultos, Maria das Graças afirma que alfabetizar um idoso é muito mais difícil pela própria condição de vida do indivíduo, pelas limitações comuns à idade e pelas metodologias, ''que muitas vezes não são adequadas para lidar com as características que esses idosos vivem hoje. Esse processo necessita de mais tempo e de habilidades específicas por parte do alfabetizador'', diz.
Porém, a pedagoga também aponta outra questão relatada por muitos professores que atuam com idosos, no que se refere à dificuldade de mantê-los na escola. ''Eu sempre digo que eles precisam descobrir qual é o objetivo desses alunos em sala de aula porque pode ser que aprender a ler e escrever seja o último motivo. Além disso, existe uma lógica na vida dos adultos que também influencia. Muitos idosos só voltam à sala de aula quando conseguem resolver aquilo que se interpõe no caminho deles, como o cuidado com o neto, por exemplo. Diante disso, o estudo volta a não ser uma prioridade'', ressalta.
Idade certa
Mas independente dessas variáveis, a pedagoga ressalta que todo mundo pode aprender em qualquer idade. ''Na educação existe uma forma de dizer que os adultos não escolarizados são adultos que não aprenderam na idade certa. E aí, eu me pergunto: qual é a idade certa? Quando se fala em alfabetização de adultos a idade certa é aquela em que ele pode ir à escola. Se ele não pode ao 7, como deveria, pode ser que só possa aos 15 ou então, ao 60. Todas as pessoas são capazes de aprender dentro de suas condições de aprendizagem, seja socioeconômica, física ou mental'', defende.
Um ponto observado também por Maria das Graças é a forma como as aulas são ofertadas aos alunos acima de 60 anos. Segundo ela, faz-se necessário um ambiente atrativo de socialização. ''É um local onde ele se sente bem e junto a isso, pode aprender a ler e escrever. É diferente de entrar em uma sala onde ele tem a obrigação de aprender. É importante pensar em espaços que promovam outras atividades de lazer e em grupo, pois assim, eles poderão fazer tudo aquilo que tiveram vontade de fazer a vida inteira, mas não tiveram oportunidade'', salienta.


