'Nunca deixei de ter medo'
''Boa gente'', como é conhecido o taxista Antônio Teixeira Maciel, 67 anos, aprendeu a conviver com o medo de transportar desconhecidos. Há quatro décadas na profissão, ele já foi baleado, esfaqueado e sequestrado, mas como bom brasileiro, não desiste nunca. ''Não é fácil trocar de atividade. A gente trabalha porque tem o compromisso de cuidar da família'', ensinou.
Durante o último susto, ''Boa Gente'' ficou preso dentro do porta-malas do táxi num matagal próximo à Gleba Jacutinga, Zona Oeste de Londrina. Os ladrões - quatro jovens que renderam o taxista e outras duas passageiras que haviam parado para pedir informação - levaram a carteira, o relógio e uma televisão que ficava no carro do taxista, que foi encontrado por crianças que passavam pelo local, meia hora depois. ''Era janeiro e o calor era tão forte que a meia hora que fiquei preso pareceu mais um dia'', relembrou ''Boa Gente''.
Ele demorou apenas uma semana para voltar ao trabalho, tempo suficiente para consertar os estragos na pintura do carro. ''Mesmo baleado ou esfaqueado, a sensação não foi tão ruim quanto a de não saber o que vem pela frente estando preso dentro do porta-malas'', comentou o taxista, que chorou ao ver seu rosto na tevê, durante entrevista um dia depois do sequestro.
Apesar dos traumas, ele nunca buscou ajuda de um psicólogo. ''Nunca deixei de ter medo, mas peço a Deus para ter coragem de dizer não quando desconfiar de um cliente'', confessou ''Boa Gente''. (M.G.)





