Na semana passada, no anúncio do Fome Zero, a coqueluche do recém-empossado governo de Luiz Inácio Lula da Silva, governadores de regiões consideradas abastadas, como Geraldo Alckmin, de São Paulo, fizeram questão de lembrar que seus estados também esperam sua cota no novo programa federal. O Paraná, a exemplo de seus vizinhos de região Sul, não foi lembrado para a primeira fase do Fome Zero, mas os políticos já iniciam seus esforços para que suas áreas de influência sejam contempladas.
Londrina, Ponta Grossa e Maringá, as três maiores cidades do Estado sob administração do partido do presidente, o PT, traçam iniciativas para receberem recursos federais para o desenvolvimento de planos de segurança alimentar. A prefeitura de Ponta Grossa saiu na frente esta semana, uma equipe da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento esteve em Brasília, para apresentar ao secretário nacional de programas especiais do Ministério de Segurança Alimentar, Newton Narciso Gomes, um projeto para a inclusão da cidade no Fome Zero.
''Nossa idéia é implementar um projeto a partir do programa federal. Ponta Grossa esteve envolvida na elaboração do Fome Zero, já que em outubro sediamos seminários que ajudaram a constituí-lo'', afirma Renê Guimarães, diretor de obras rurais da Secretaria de Agricultura e coordenador do Fome Zero em Ponta Grossa. Em Londrina, o secretário de Planejamento, Marcos de Freitas, explica que a partir desta semana as diferentes secretarias da administração municipal deverão iniciar discussões com o objetivo de elaborar um projeto próprio.
''O orçamento para os projetos sociais em Londrina subiu de R$ 13 milhões em 2002 para R$ 17 milhões este ano, o que indica nossa preocupação com questões nesta área. O Estado do Paraná tem situações gravíssimas, de grande dificuldade, e isso justifica o esforço para que façamos um projeto, talvez não nos moldes de Ponta Grossa'', diz Freitas. A secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, explica que o Fome Zero ajudaria a corroborar ações que já são realizadas no município.
''Os cupons a R$ 50 significariam uma melhora para as 3.500 famílias que estão cadastradas na Prefeitura para o recebimento de cestas básicas, já que elas (as cestas) estão orçadas em R$ 35. O Fome Zero também ajudaria na consolidação de uma rede de geração de renda, que propiciasse um resgate de cidadania, além do assistencialismo. Trabalhamos desde o início com este espírito e adaptaríamos os nossos programas próprios de combate à fome a este formato (do Fome Zero)'', diz a secretária.
Maria Luiza afirma que pouco mais de 24 mil famílias em Londrina vivem com renda per capita de até meio salário mínimo, e que 60% dessa população carente recebe alguma assistência, entre benefícios da administração municipal (que responderiam por 50% da ajuda) e de entidades não-governamentais. No próximo mês, sobem de 750 para 850 as famílias cadastradas no Bolsa-Alimentação, e de 1.600 para 2.500 as contempladas pelo Auxílio-Gás. Entretanto, a prefeitura não tem estimativas de quantas famílias poderiam ser atendidas pelo Fome Zero no município.
A prefeitura de Maringá também não tem conhecimento destes números. Na semana passada, várias entidades se reuniram para iniciar discussões sobre um programa de Fome Zero local. No município, a Fundação de Desenvolvimento Social e Cidadania (Fundesc) presta benefícios a 2.400 famílias, mas a assistência chega a 8.000 famílias, graças à atuação de entidades não-governamentais. A idéia da prefeitura é traçar estratégias que contemplem também cidades vizinhas, como Paiçandu e Sarandi.
Já a prefeitura de Ponta Grossa estima que 12 mil famílias abaixo da linha da pobreza poderiam ser beneficiadas no município. ''Traçamos um projeto de oito ações, que incluem itens como ampliação de nossa unidade de produção de alimentos à base de soja, uma rede solidária de restaurantes populares e a implementação de um Banco de Alimentos. Os recursos viriam de fontes federais, estaduais e do próprio município'', explica Guimarães. A prefeitura estima que as primeiras ações em Ponta Grossa necessitariam de R$ 12 milhões em dois anos. O diretor explica que Newton Gomes, do Ministério de Segurança Alimentar, pediu prazo de dez dias para analisar o projeto.

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