O Conselho Tutelar de Londrina realizou nos primeiros 112 dias deste ano 700 novos atendimentos, fora os casos reincidentes. A média é de 6,25 atendimentos por dia. De 1998 a 2001, o Conselho, que agora está dividido em três, com abrangência em toda a cidade, deu assistência a 16.453 casos, entre denúncias, reclamações, orientações e verificação de criança e adolescente em situação de risco. A presidente do 3º Conselho, Carmem Sperandio, afirmou que os números altos refletem um empenho maior da população em denunciar a violência.
No sábado passado durante a manhã, policiais militares da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) apreenderam duas meninas tentando furtar um apartamento localizado na área central. A adolescente (13 anos) que pela terceira vez cometeu ato infracional, foi encaminhada ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), e a criança (10 anos) levada para a casa dos pais, em um bairro da zona sul da cidade. Elas afirmaram à polícia que seriam agredidas, caso não efetuassem o furto para uma traficante conhecida por Bibiane.
Segundo Carmem Sperandio, o caso das duas irmãs difere um pouco dos demais atendimentos. Conforme informações de Carmem, aparentemente a família das meninas não parece ter problemas financeiros graves, o que poderia explicar a tentativa de furto. A denúncia delas sobre o domínio da traficante, afirmou a conselheira, será investigada com toda a precaução porque o Conselho teme pela integridade das meninas e familiares. A adolescente, de acordo com normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vai responder pelo ato, e a mãe foi advertida pelo comportamento da filha de 10 anos.
Outra preocupação dos conselheiros é o alto índice de adolescentes de 17 a 21 anos assassinados por armas de fogo e a possibilidade de ação de grupos de extermínio na cidade, conforme noticiou a Folha na edição de domingo. A experiência de trabalho deles, disse Carmem, tem demonstrado que os traficantes utilizam meninos e meninas como ‘‘aviõezinhos ou mulas’’. A tática do tráfico é oferecer a droga, principalmente para crianças de 9 a 11 anos, para viciar primeiro e se valer dos serviços deles mais tarde.
No sábado passado, o Conselho Tutelar de Londrina em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) lançou um site (www.uel.br/projeto/conselhotutelar) com informações sobre a atuação do órgão e orientações à população sobre como agir em casos de violências contra crianças e adolescentes. Os telefones do conselho para atendimento e denúncia são 1407 e o celular (funcionamento 24 horas) 9991-6752.

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