Números não correspondem à realidade
Números não
correspondem
à realidade
O número de denúncias de assédio sexual vem aumentando consideravelmente em Londrina. No ano passado, dos 478 casos atendidos pelo Centro de Assistência à Mulher (CAM), órgão diretamente ligado à Secretaria Especial da Mulher, apenas 1% era de queixas sobre assédio. Este ano, no período compreendido entre janeiro a julho, os índices praticamente dobraram, com os números saltando para sete dos 354 casos novos registrados, o que corresponde a 2% do total.
Mas para a diretora do CAM, Sandra de Freitas Coelho, mesmo com o aumento significativo nas denúncias, os números ainda não correspondem a realidade. Se houve um aumento de 100% de casos em nossas estatísticas, é possível que o número real tenha mais que quadruplicado. Assim como acontece com os outros tipos de violência contra a mulher, a maioria prefere se calar quando é assediada sexualmente, constata.
Segundo Sandra, o assédio é classificado também com uma violência, nos mesmos parâmetros do estupro, da agressão física e psicológica, embora raramente implique na utilização da força física. Se o homem aproveita da relação de poder para cantar agressivamente uma mulher, está cometendo sim uma violência. Uma agressão que pode ser verbal, causando constrangimento moral e social; ou física, quando chega a passar a mão no corpo da mulher. Isto é uma violação. Nosso corpo é nossa propriedade e ninguém pode tocá-lo se nós não o permitimos, afirma.
Dos casos que chegam até o CAM, a maioria das queixas de assédio sexual está relacionada às áreas de saúde, educação e empresarial. A área médica é a campeã de queixas em Londrina, aponta Sandra. E, segundo ela, a maioria das mulheres assediadas está na faixa de idade entre os 19 e 40 anos, de todos os níveis sociais. Tivemos queixas desde empregadas domésticas até pessoas com curso superior, como uma jornalista, explica.
Para as mulheres que procuram o CAM, a diretora garante que é dada toda a assistência. Nós damos apoio jurídico, psicológico e até de assistência social. Mas principalmente damos o apoio moral que ela precisa. Na maioria dos casos, as mulheres chegam emocionalmente abaladas e precisam se fortalecer porque é um processo extremamente desgastante, explica. Mesmo assim, os números são animadores. Em 80% dos casos em que conseguimos provas, tivemos ganho de causa. Os 20% restantes foram desistências das próprias vítimas, diz Sandra.
(T.E)





