Londrina – O número de transplantes de órgãos realizados no Paraná caiu de 324, entre janeiro e agosto do ano passado, para 278 no mesmo período deste ano. Em 2014, 129 famílias autorizaram a doação de órgãos de pacientes diagnosticados com morte cerebral. No entanto, outras 102 se recusaram a ajudar.
A Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copott) e os hospitais da região investem na capacitação para abordar as famílias. Este foi um dos pontos abordados no lançamento da campanha "Quando você doa órgãos, a vida continua", que será promovida pela Santa Casa de Londrina este ano. Em 70 anos, o hospital já realizou 340 transplantes renais e 50 transplantes cardíacos.
Conforme o superintendente do hospital, Fahd Haddad, 50% das famílias abordadas pela comissão não permitem a doação de órgãos do paciente com morte cerebral. "Existe uma questão cultural e existe uma esperança de que o paciente possa se recuperar. Infelizmente, hoje se consegue comprovar através de exames que ele não tem mais condições para viver. Por isso, o esclarecimento talvez permita o aumento das doações", destacou.
A coordenadora da Copott Londrina, Ogle Beatriz Bacchi, destacou que o índice da chamada recusa familiar chegou a 70% no primeiro quadrimestre deste ano. "Existem vários fatores para isso. O desconhecimento da vontade do paciente é o mais presente. É preciso manifestar em vida o desejo de doar. As famílias também precisam ser esclarecidas sobre o assunto, sobre a organização desse trabalho. Doação de órgãos nesse país é um trabalho sério. O Brasil tem o maior sistema de transplante público do mundo", ressaltou a coordenadora.
Entre janeiro e agosto, o número de transplantes de coração aumentou de 14 para 22 no Paraná em comparação com o mesmo período do ano passado. O jovem Edmilson Cruz de Andrade enfrentou uma espera de cinco anos. "Cheguei a perder os meus sonhos", confessou. Em setembro de 2012, um novo coração passou a bater no peito de Edmilson. Hoje, aos 29 anos, ele se prepara para ser pai. "O Pedro Lucas chega no final desse mês. Meu coração já está pronto para aguentar a emoção", disse, ao lado da esposa Taís da Silva.
Durante o lançamento da campanha, os médicos Getúlio Amaral e Horácio Alvarenga Moreira tiveram um reencontro com a paciente Dalila Vaine Siqueira, que recebeu um novo rim no ano passado. "É sempre um trabalho em equipe. É muito gratificante poder acompanhar os resultados", comentou Amaral, chefe da equipe de Nefrologia da Santa Casa.
"Observar a melhora dos pacientes e os resultados traz a sensação de que valeu a pena. Um transplante renal envolve, em média, dez médicos. A cirurgia dura, aproximadamente, quatro horas, mas muitas equipes estão envolvidas antes, durante e depois do procedimento", explicou Moreira, chefe da equipe de Transplante Renal da Santa Casa.
Dalila tem apenas 18 anos e agora sonha em ser médica. "Quero dar esperança aos pacientes. Muita gente tem chances de cura e nem sempre quem está por perto fala de todas as possibilidades dos tratamentos", afirmou.

mockup