O número de queimados com fogos de artifício durante as festas de final de ano em Curitiba superou as expectativas do setor de queimados do Hospital Universitário Evangélico. Desde o dia 31, cerca de 150 pessoas já foram atendidas no ambulatório do hospital, vítimas de queimaduras de segundo grau (formação de bolhas) e terceiro grau (perda da derme).
Segundo o médico José Luiz Takaki, responsável pelo setor de ambulatório de cirurgia plástica e queimados do Evangélico, a previsão era que o aumento do número de atendimentos em relação ao ano passado ficasse em 10 a 15%. ‘‘No entanto, já registramos crescimento de 66%’’, afirma Takaki.
Só no Natal foram 53 atendimentos. No Ano Novo, os primeiros casos aconteceram antes mesmo da meia-noite do dia 31. Às 19h30, houve o primeiro atendimento. Às 22h30, o pronto-socorro recebeu um de seus casos mais graves - o jovem João Domingos da Silva recebeu uma bomba no rosto e precisou ser internado, sob risco de cegueira por causa da gravidade do ferimento.
Entre a meia-noite e as 9h30 da manhã do dia 1º, o plantão do hospital atendeu 65 pacientes, entre os quais um rapaz que teve que amputar a ponta de três dedos da mão esquerda. Dez por cento das vítimas são crianças.
O médico Takaki lembra que muita gente ainda está procurando o hospital esta semana, voltando da praia. ‘‘Temos atendido uma média de 20 pessoas por dia’’, informa. Casos mais graves, em que há também traumas, acabam sendo encaminhados a outros hospitais, para depois receberem tratamento específico para queimadura no Evangélico.
A média de 90 casos entre Natal e Ano Novo vem sendo superada a cada ano, desde o começo do Plano Real, em 1994. No primeiro ano, o aumento foi de cerca de 50% no número de queimados. Nos últimos dois anos, a média de crescimento tem ficado em 15 a 20%. ‘‘Quanto maior a oferta do produto, mais chance de mais gente se acidentar’’, justifica Takaki. Como são considerados fruto de uma ‘‘atividade perigosa’’, cujos riscos são conhecidos, os acidentes provocados pelo manuseio de fogos de artifício são em geral excluídos da cobertura dos planos de saúde.
‘‘Noventa por cento das pessoas já chegavam ao hospital se desculpando, porque sabiam dos riscos que estavam correndo, mas sempre acusavam defeito de fabricação da bomba como causa’’, afirma o médico. Segundo ele, muita gente procurou orientação no hospital antes de soltar rojões, a fim de saber os procedimentos em caso de queimadura.

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