O número de mortes em acidentes na rodovia PR-445, no trecho entre Londrina e Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), aumentou em 1000% no primeiro quadrimestre de 2004 com relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto o índice de acidentes cresceu 16,33% na rodovia, subindo de 98 para 114, as mortes saltaram de 2 para 20. O número escandaloso é o principal motivo para a Polícia Rodoviária Estadual promover, desde ontem, a operação ''Salva Vidas'', para intensificar a fiscalização nas estradas da região de Londrina, forçando a redução da velocidade dos veículos e incentivando o respeito à sinalização.
Segundo o comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Sérgio Dalbem, os 70 quilômetros da PR-445 entre Londrina e Mauá da Serra constituem o trecho de maior risco de acidentes na região. Por esse motivo, o trevo de acesso à Empresa de Transmissão de Eletricidade para a Região Sul (Eletrosul), no KM 57, foi escolhido como um dos pontos para fiscalização. ''É um local onde o excesso de velocidade e as ultrapassagens proibidas são os problemas com maior incidência'', contou.
A alta velocidade é usada por Dalbem como justificativa para os números de acidentes divulgados pela Polícia Rodoviária. ''Só as altas velocidades explicam o aumento na gravidade dos acidentes'', afirmou o capitão.
Para forçar a redução da velocidade no trecho da rodovia, foram montadas blitze em curtos intervalos de estrada. ''Dessa forma, os motoristas serão obrigados a manter velocidade mais baixa durante todo o trajeto, e não só onde se encontram os policiais'', disse o comandante do 1º Pelotão da Polícia Rodoviária, tenente Idevaldo de Paula Cunha.
De acordo com Dalbem, pelo menos 40 policiais foram mobilizados para a operação. As blitze não estarão restritas à PR-445. ''Também vamos fiscalizar toda a extensão da BR-369 na região de Londrina'', afirmou Cunha. Ainda de acordo com as estatísticas da polícia, a BR-369 também registrou acréscimo de 10 para 15 (50%) no número de mortes no primeiro quadrimestre de 2004.
A intenção da operação, segundo Dalbem, é orientar os motoristas sobre a responsabilidade de obedecer a sinalização das estradas. Para isso, panfletos com estatísticas sobre os acidentes estão sendo distribuídos entre os motoristas. As notificações serão utilizadas como forma de inibir a prática de contravenções desde o início da ação. ''Infelizmente, adultos só se sentem na obirgação de obedecer à sinalização quando são punidos'', disse Cunha.
Alguns dos motoristas parados na blitz, como os funcionários da Ceasa Noel de Souza, 30 anos, e Sebastião Moraes, 55, concordam com a realização da operação. ''Já vi de tudo por aqui. Desde ultrapassagens perigosas até acidentes sérios. Precisava ter blitz todo dia'', disse Moraes. Já o administrador de fazenda José da Silva, 48 anos, que afirmou ver pelo menos um acidente por semana no trecho da 445, acredita que seja difícil reduzir a velocidade dos motoristas somente com operações. ''É questão de consciência. Tem gente que viaja com carro novo e acha que está seguro, pode correr'', lamentou.
A operação deve continuar nas rodovias da região por tempo indeterminado. Segundo o capitão Dalbem, os primeiros 40 dias servirão como avaliação para determinar os novos pontos para realização de blitze.

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