Curitiba Os números da criminalidade no Paraná tiveram redução média de 21% entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2003. Por outro lado, dos oito principais crimes analisados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, cinco apresentaram aumento no total de ocorrências. Os índices do interior do Estado influenciaram esse quadro.
Enquanto em Curitiba o número de homicídios dolosos teve uma pequena queda, de 1,5% (de 400 para 394 ocorrências), o interior registrou crescimento de 13,9%. Nos nove primeiros meses deste ano, foram 719 mortes violentas, contra 631 do ano passado. Segundo levantamento da Folha, em Londrina foram registrados, do começo do ano até agora, 165 homicídios, número superior ao registrado em todo o ano de 2002. Na região metropolitana, o crescimento nos homicídios foi inferior ao restante do Estado (9,67%), subindo de 155 ocorrências, em 2003, para 170, este ano.
Na análise do secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que considerou o balanço geral positivo, ''o homicídio nem sempre está ligado ao trabalho de polícia''. Isso porque, segundo ele, algumas ocorrências são resultado de brigas em família ou de embriaguez.
Delazari reconheceu, no entanto, que 90% das vítimas de homicídio são pessoas com antecedentes criminais por causa do narcotráfico, o que, para ele, comprovaria que a maioria das mortes estariam relacionadas à disputa entre traficantes.
Segundo o secretário, esse é o perfil de grande parte das vítimas de Londrina. Ele assegurou que a polícia vem atuando com rigor no combate ao tráfico de drogas e culpou o governo municipal, da gestão passada, pelo ''vácuo social'' que se instalou na cidade. Delazari acredita que a falta de políticas públicas levou muitos jovens a vender drogas nas esquinas.
Delazari assegurou, também, que o índice de homicídios no Paraná está bem abaixo da média nacional, o que coloca o Estado na 18 posição no ranking de crimes contra a vida. Segundo ele, enquanto no Paraná são registrados, em média, quatro homicídios por dia, na capital São Paulo acontecem 40 mortes.
Os crimes praticados por grupos organizados, como roubo a banco, também tiveram aumento expressivo no Interior (53%), enquanto em Curitiba houve queda de 14% e na região metropolitana de 60%. Para Delazari, esse número mostra uma tendência de migração das quadrilhas da Capital e de outros estados para municípios do Interior como estratégia do crime organizado que, segundo ele, têm ''alto poder de mobilidade''.
Ainda de acordo com os números da secretaria, as ocorrências de roubos de cargas, em Curitiba, cresceram 113,7% este ano. No interior, o aumento foi de 17,07%. Já a RM registrou queda de 31,25% nesse tipo de ocorrência.

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