Kraw PenasDiferenças regionais Márcia Stolarski, da Fundepar, mostra no mapa do Estado as regiões pesquisadas: hábitos diferentes e melhor distribuição para evitar prejuízosA rede estadual de ensino do Paraná vai começar o ano letivo com cerca de 4% de acréscimo no número de alunos, em relação a 1996. O aumento é considerado normal pela Secretaria Estadual da Educação, segundo a qual ainda existem vagas no sistema. Alguns municípios, contudo, enfrentam graves problemas de falta de espaço físico.
Segundo o secretário Ramiro Wahrhaftig, estão matriculados na rede pública estadual de 1º e 2º graus 1.330.000 alunos. O número ainda é preliminar, já que matrículas esporádicas costumam ser aceitas até meados de abril. Em 1996, o ano letivo começou com 1.280.000 alunos e terminou com 1.220.000 - uma das menores evasões dos últimos anos.
Se na média o aumento no número de matrículas deve ficar entre 4% e 5%, no 2º grau pode chegar a 10%. Em alguns núcleos, é até superior a isso, como no de Cascavel, onde chegou a 12%.
O secretário garante que a rede pública está preparada para absorver o aumento. ‘‘Em 96, sobraram quase cem mil vagas’’, afirma. Este ano, segundo ele, só em Curitiba ainda existem cerca de dez mil vagas disponíveis.
O grande problema é que as vagas nem sempre estão onde a clientela deseja e precisa. Enquanto algumas escolas ficam com capacidade ociosa, outras são obrigadas a dispensar alunos. Em Cascavel, o governo não construiu duas escolas que deveriam atender os bairros de Santa Cruz, Alto Alegre e Tropical. O resultado é que o município tem uma lista de espera com cerca de mil nomes de alunos que não conseguiram vagas.
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‘‘Se tivéssemos mais um pavimento com dez salas, todas estariam lotadas’’, diz a diretora da Escola Estadual Professor Brandão, localizada na Avenida João Gualberto - um local próximo ao centro de Curitiba e bem servido pela rede de transporte.
Com 1.390 alunos de 1º grau, a escola já trabalha em três turnos e tem turmas com até 45 alunos, quando o ideal são 35 ou 40, no máximo. Outra escola muito procurada, o Colégio Estadual Leôncio Correia, no bairro Boa Vista, aumentou o número de turmas de ingresso no 2º grau de 19 para 26 e recorreu ao improviso de salas para abrigar os alunos. Salas de dimensões menores que o padrão foram reformadas com recursos próprios da escola.
‘‘A Fundepar constrói muitas salas no interior, mas não vem atendendo as necessidades em Curitiba’’, diz o diretor do Colégio Estadual Professor João Loyola, Joir Lacerda Lopes. Ele afirma que o colégio, no bairro Pinheirinho, pede a construção de seis salas desde 1990, sem sucesso: ‘‘Todo ano deixamos de atender cerca de 200 alunos por falta de espaço, e ainda assim temos turmas com até 50 alunos’’.
Problemas assim obrigaram a secretaria a adotar alternativas para atender a demanda. No Bairro Alto, foi organizado um sistema de transporte que levará para escolas de outras regiões alunos que não conseguiram vaga perto de casa.
‘‘O governo tem investido na rede física, mas é claro que é preciso investir muito mais’’, reconhece Wahrhaftig. Segundo ele, o aumento na procura pela rede pública deve-se principalmente às dificuldades das famílias em manter seus filhos em escolas particulares e à ‘‘melhora na imagem da escola pública no Paranᒒ.

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