Número de faculdades de medicina preocupa CRM
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segunda-feira, 06 de março de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A preocupação com o grande número de faculdades de medicina espalhadas pelo Brasil foi abordada ontem pelo presidente interino do Conselho Regional de Medicina (CRM) e secretário do Conselho Federal de Medicina, Gerson Zafallon Martins. Ele foi o palestrante da aula inaugural dos 80 calouros de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Martins considera uma ''calamidade'' a implantação de escolas, sem nenhum controle na qualidade do ensino, o que garante prejuízo à sociedade.
Segundo Martins, o Brasil, ''até ontem'' expressão usada por diversas vezes durante a entrevista possuía 154 faculdades espalhadas por todo o país, mais até do que países como China (com 1,3 bilhão de habitantes e 150 faculdades), Estados Unidos (200 milhões de habitantes e 120 faculdades) e até a Índia (com 130 faculdades).
''É uma calamidade'', criticou Martins. ''A abertura indiscriminada de escolas não resolve o problema do atendimento à saúde da população. A maioria das escolas não tem hospital universitário, não tem corpo docente preparado e o resultado disso é uma formação deficitária''.
Martins afirma que a abertura de escolas de medicina é uma decisão exclusiva do Conselho Nacional de Educação e do Ministério da Educação e Cultura (MEC). ''O Conselho Federal de Medicina não é ouvido. O Conselho Nacional de Saúde (órgão do Ministério da Saúde) não é deliberativo, portanto não tem como influenciar numa decisão de abertura ou não de uma escola''.
O professor alega que o número de médicos em algumas cidades é muito pequeno e isso prejudica ainda mais. ''Com poucos médicos, o corpo docente é zero e a qualidade do ensino é prejudicada ainda mais''. Ele acrescenta que os conselhos são formados e lutam por um bom ensino, mas não têm como interferir na abertura de escolas. ''Escolas que ensinam mal devem ser fechadas ou pelo menos melhorar rapidamente a qualidade do ensino''.
Uma mudança, nesse sentido, segundo o professor, só poderá ser feita pela sociedade, que precisa exigir melhores profissionais no mercado. ''Temos que batalhar por mudanças e pela qualidade do ensino''.
No Paraná, uma faculdade de Ponta Grossa não foi aberta por falta de condições de ensino. O fato aconteceu há quatro anos e 16 alunos aprovados lá fazem o curso na UEL.


