Giovani Ferreira
De Curitiba
O número de dentistas em Curitiba é três vezes maior do que a média recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Enquanto a OMS indica como relação ideal um dentista para cada 1,5 mil habitantes, na capital existe um profissional para cada grupo de 500 pessoas. O alto número de dentistas, que tem como consequência a saturação do mercado, deve-se ao crescimento desordenado das faculdades de Odontologia.
Em todo o Paraná existem nove escolas. Três delas estão em Curitiba, onde formam-se 310 dentistas ao ano. No Brasil são 126 faculdades, que anualmente colocam no mercado 11,8 mil profissionais. Os números são divulgados pelo secretário geral do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Eros Petrelli, que defende um controle mais rigoroso dos processos de abertura de novas escolas.
Segundo Eros, a classe está tentando disciplinar a abertura das faculdades. Para ele, as novas escolas devem ser implantadas somente onde existe a comprovação da necessidade social. As faculdades devem ser abertas onde haja deficiência na relação de profissionais com o número de habitantes de determinado Estado ou município.
O principal problema, explica Eros, é que o crescimento populacional do Brasil é três vezes menor que a classe de dentistas. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população no País cresce em torno de 1,9% ao ano. Números do CFO revelam que a quantidade de dentista vem aumentando em uma média anual de 6,2%.
Assim como o número de dentistas, crescem também as irregularidades no exercício da profissão. Márcio Jacomel, presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO-PR), não soube quantificar, mas acredita que nos últimos seis meses o número de processos analisados pela entidade aumentou em pelo menos 33%. Os problemas vão desde o profissional formado que não possui registro para exercer a Odontologia, até ao absurdo de pessoas inabilitadas, sem formação, que atuam como dentistas.
Em todo o Estado a CRO chega a autuar três dentistas por mês. As fiscalizações do conselho são desenvolvidas em parceria com a Vigilância Sanitária e a Polícia Militar. Dependendo do tipo de irregularidade, os reponsáveis têm seus equipamentos apreendidos e podem inclusive serem presos pelo exercício ilegal da profissão.
Outra questão discutida pelo conselho de ética do CRO são as publicidades feitas por dentistas e clínicas odontólogicas. Uma das grande discussões dentro do setor, é até onde vai a liberdade de marketing dos profissionais. Por se tratar de um segmento diretamente envolvido com a saúde das pessoas, as publicidades são bastante restritas e limitadas.

mockup