O número de universitários matriculados pelo sistema de cotas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) poderia ser até três vezes maior. A quantidade de vagas ocupadas pelos estudantes de escolas públicas e negros, porém, está longe de atingir o patamar de 40% do total. O problema é que as inscrições não são suficientes para reservar todas as vagas.
Em 2006, 3.050 estudantes foram aprovados no vestibular: 1.998 pelo sistema universal (65,50%) e 1.052 (34,50%) através das cotas. Como as resoluções prevêm que a reserva de vagas é de até 40% em cada curso, o número de vagas para os alunos de escolas públicas e para os negros poderia ser ainda maior.
A quantidade máxima seria de 1.220 vagas, 15% maior do que as ocupadas atualmente. Os dados estatísticos do concurso de 2007 não foram fechados porque ainda há chamadas extraordinárias em andamento.
Para o professor Jean Ribeiro, uma possível causa da sub-utilização de cotas é a falta de divulgação do sistema. Ele acredita que o número de vagas ocupadas por negros e estudantes de escolas públicas poderia ser muito maior, uma vez que, a cada ano, a rede pública forma perto de cinco mil jovens em Londrina.
''É interessante que a própria universidade se empenhe numa divulgação didática do funcionamento das cotas até por ser uma das pioneiras na implantação desse sistema'', cobra Ribeiro.
Ele afirmou ainda que a sub-utilização das vagas é ainda maior em determinados cursos. Para medicina, por exemplo, 11 cotistas foram aprovados em 2006 e 2007. Se o patamar máximo fosse atingido, esse número poderia ser quase três vezes maior.
A pró-reitora de Graduação, Maria Aparecida Vivan de Carvalho, revelou que o sistema está passando por uma avaliação completa, tanto quantitativa quanto qualitativa. O objetivo é definir sobre a manutenção ou possível readequação.
Outra preocupação da UEL é fazer o acompanhamento pedagógico e social dos cotistas. E esse trabalho parece já estar dando resultado. Um exemplo é a média aritmética das notas dos cotistas, cujos desempenhos não ficam muito atrás dos outros alunos. E o trabalho promovido pelo Serviço de Bem Estar da Comunidade (Sebec) também tem atingido números satisfatórios, como o baixo índice de evasão. (Ver box)
Os dados indicam ainda que os cursos mais procurados pelos cotistas de escolas públicas e negros são medicina, administração e direito noturno, cursos que ofertam 80, 80 e 120 vagas, respectivamente. Como o número de vagas totais em outros cursos, como serviço social, é mais reduzido, a concorrência através das cotas torna-se mais acirrada do que pelas vagas universais.
O fato, é claro, não prejudica os cotistas, que também disputam as vagas gerais. Indica, no entanto, que os cursos ''nobres'' ainda assustam os negros e alunos de escolas públicas. ''O importante da divulgação é que quanto mais candidatos se inscreverem nos cursos mais concorridos, maior o número de vagas destinado aos inscritos pelas cotas '', ressalta o professor Jean Ribeiro. E a universidade está estudando formas de tornar essa comunicação mais eficiente. As ações, no entanto, serão divulgadas após a conclusão do estudo.

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