Número de cegos pode aumentar quatro vezes até o ano 2020
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de fevereiro de 1997
Da Redação 
O oftalmologista Sérgio Pacheco alerta que o número de deficientes visuais no Brasil poderá quadruplicar até o ano 2020. Para ele, a comunidade precisa se conscientizar sobre prevenção de doenças e recuperação visual. Pacheco enfatiza que 80% da capacidade de aprendizagem do ser humano é baseada na visão. Mas o médico comenta: Os demais sentidos podem suprir a falta de visão em caso de necessidade, porém nunca completamente. Por isso é melhor não precisar.
Para os pais, uma dica essencial: prestar atenção ao comportamento dos filhos. Se a criança fica muito perto da televisão, cai muito ou esbarra constantemente em objetos, ela pode estar com problemas e merece uma visita ao oftalmologista.
Pacheco lembra ainda que a maioria dos acidentes que levam crianças a perder a visão acontece dentro de casa e perto dos pais. Por isso, é preciso tomar cuidado. É necessário manter longe das crianças objetos pontiagudos (canetas, tesouras, agulhas) e produtos de limpeza. Mordidas de animais também estão entre os fatores que mais causam cegueira em crianças - elas costumam aproximar o rosto dos bichinhos.
Vale a pena ainda estar atento à incidência do tracoma. Este microorganismo que ataca a parte interna dos olhos e pode provocar a cegueira parecia ter desaparecido, mas casos recentes têm sido detectados. Coceira no olho atacado e vermelhidão são os principais sintomas, muito parecidos com os de uma conjuntivite mais aguda.
O oftalmologista alerta ainda para o uso indevido e excessivo de colírios. A utilização deste tipo de medicamento sem consulta médica, ou além do prazo determinado, pode resultar inclusive em cegueira, avisa.
Uma visita regular ao oftalmologista, para conferir se está tudo bem, vale para pessoas de todas as idades, mas principalmente a partir dos 35 anos, quando a vista começa a ficar cansada. Pacheco explica que a maior parte dos casos de cegueira ocorre com pessoas com mais de 50 anos. Se fossem tratados no início, 95% desses casos seriam reversíveis através de cirurgia ou até utilização de lentes.
(Célia Baroni)


