Curitiba - Boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde revelou que mais 630 pessoas no Paraná foram infectadas pelo vírus causador da dengue, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Comparado ao levantamento anterior, o número de casos cresceu mais de 22%, passando de 2.818 para 3.448. Na grande maioria dos casos (3.076), os doentes se contaminaram na cidade onde moram. O número de pessoas que contraiu a doença em outro município passou de 351 para 362.
Para o diretor do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde, Antônio Carlos Setti, apesar do crescimento de número de casos importados ter sido pequeno em relação ao boletim passado – pouco mais de 3% –, se comparado com os dados registrados nos dois últimos anos, o aumento é bastante significativo. Em 2000 e 2001, 252 pessoas foram infectadas fora do Paraná. Segundo ele, essa seria uma das razões do elevado número de doentes este ano. Em comparação a 2001, o crescimento foi superior a 167%. No ano passado foram registrados 1.288 casos de dengue no Estado. Dos 125 municípios onde houve surgimento da doença, 63 registraram casos autóctones.
Outra razão para os números da dengue terem aumentado tanto, avaliou Setti, é o calor atípico. ‘‘Até a semana passada tivemos temperaturas chegando à casa dos 30 graus. Isso também favorece a proliferação do mosquito’’, disse.
Setti acredita que com a intensificação das ações de combate ao mosquito pelas prefeituras e a aproximação do inverno, a tendência é que os casos de dengue comecem a diminuir. A preocupação da secretaria, no entanto, é que os governantes e a população se sensibilizem de que as ações contra a doença devam ter continuidade.
Foz do Iguaçu concentra cerca de 30% dos casos de dengue confirmados até agora (1.037). Em Maringá, são 293 casos. Londrina registrou 187 casos e Curitiba, 133. A Secretaria de Saúde, informou Setti, está colhendo amostras do mosquito da dengue nas regiões de Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Ivaiporã e Umuarama. Os exemplares serão encaminhados para o Instituto Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, para a identificação do tipo de vírus que está circulando nessas regiões.
Com esses exames, a secretaria quer descartar a possibilidade de que o vírus causador da dengue hemorrágica tenha chegado ao Estado. Até agora, foram registrados três casos da forma mais grave da doença – dois em Maringá e um em Londrina –, em que os doentes foram infectados em outros estados.

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