Número de bairros pode cair para 55
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Há exatos quatro anos e meio, o Executivo baixava um decreto agrupando em apenas 55 bairros os mais de 400 lotes, loteamentos, conjuntos, jardins e vilas de Londrina. O redesenho do mapa da cidade fazia parte do projeto de geoprocessamento feito pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e tinha o objetivo de facilitar o trabalho de planejamento e identificação das necessidades de cada área. O tempo passou, o projeto empoeirou e Londrina hoje tem cerca de 800 nomes diferentes que identificam, em alguns casos, apenas uma rua.
A expectativa é que as teias de aranha do decreto comecem a ser removidas nos próximos meses, como aponta o diretor-presidente do Ippul, Aloysio Crescentini de Freitas. Junto com a revisão do Plano Diretor, cuja verba de R$ 1,3 milhão já foi aprovada pela Câmara, a idéia é retomar também os planos de simplificar os nomes dos bairros, aglutinando-os em torno de 60 nomes.
''A expansão urbana provocou o surgimento de inúmeros pequenos bairros e acabou criando uma colcha de retalhos onde o cidadão comum acaba tendo dificuldade para se localizar'', observa Freitas. Ele lembra que a simplificação é importante para garantir o planejamento adequado das ações do poder público em toda a cidade. Hoje, por exemplo, não é possível saber com exatidão o número de moradores de cada região (ver box).
Tanto no centro como na periferia é fácil encontrar exemplos da irracionalidade na nomenclatura. Localizado na Área Central, o Jardim Vânia fica entre a Vila Recreio e a Vila Nova e é formado por apenas uma rua, a Marcelo Accorsi, de menos de 100 metros. ''Verdade? Foi bom você me informar. Chamamos aqui de Vila Nova'', afirma o único representante do jardim, o empresário do ramo de ferragens, Antônio Plastina. Ele possui uma loja na rua há mais de três anos e mostra que a referência na correspondência varia: na conta de água consta Jardim Guaporé, assim como nas cartas remetidas pela prefeitura; na de telefone, o nome adotado é Vila Nova; e a de luz não informa o nome do bairro.
Provavelmente, um dos únicos moradores de Londrina que sabe onde fica o Jardim Vânia é o taxista Antônio Teixeira Maciel, mais conhecido pelo apropriado apelido de ''Boa Gente''. O pernambucano de nascimento usa a experiência acumulada em 37 anos rodando pelas ruas da cidade para não se perder diante de tamanha confusão de nomes. ''Se fosse reduzido para só 55 bairros seria vantajoso porque simplificaria bastante'', diz. Pioneiro na implantação da faixa vermelha do rádio-taxi, em 1984, ''Boa Gente'' ajudou a dividir a cidades em 12 setores para implantar o serviço.
Para não ter problemas, o coordenador de Atividades Externas dos Correios, Rodilso de Moraes, explica que a triagem de correspondências é baseada no número do CEP e no nome da rua e não no nome da localidade. O coordenador revela que diante de tamanha diversidade de nomes é comum as pessoas se confundirem para definir com exatidão o nome do bairro. Cartas e encomendas são distribuídas seguindo as 52 faixas de CEP de Londrina. Por isso, ressalta Moraes, é essencial informar o número correto do CEP para não ter problemas no envio ou recebimento de correspondências.


