Os assaltos a ônibus coletivos registrados nos 11 primeiros meses do ano em Londrina triplicaram em relação ao ano passado. Até o dia 30 de novembro, somente na empresa de Transporte Coletivos Grande Londrina (TCGL) foram 296 assaltos, contra 87 ocorridos em todo o ano de 2000. A empresa já acumula este ano um prejuízo de cerca de R$ 15 mil. Anteontem à noite, na linha 405, que trafega no Conjunto Maria Cecília (zona norte), dois homens armados roubaram R$ 75,00 e, ao sair do ônibus, deram um tiro para o ar. No mês passado um motorista da TCGL foi baleado ao perceber o assalto e acelerar o veículo.

De acordo com a assessoria de imprensa da TCGL, uma das linhas onde os assaltos são mais frequentes é a 314, do Jardim Olímpico (zona oeste). Conforme a assessoria, a TCGL colabora com a Polícia Militar (PM) no sentido de coibir os assaltos em bairros considerados mais perigosos. A empresa oferece mensalmente à PM 500 litros de combustível e cerca de 2 mil passes de ônibus, para que os policiais possam circular nos veículos à paisana. No mês passado, a empresa doou à PM 10 fones de ouvido para os policiais atenderem ao telefone 190.

A TCGL, que mantém em circulação 253 carros e contrata cerca de 900 motoristas e cobradores, reforça aos funcionários as orientações da polícia, entre elas, não reagir e nem fazer movimentos bruscos que possam provocar a violência dos assaltantes. Em meados de novembro, um motorista suspeitou de um homem que estava esperando em um ponto de ônibus do Conjunto João Paz, região norte, acelerou e tomou um tiro. Ele foi operado e está se recuperando bem.

O motorista Antonio Manieri, 48 anos, já foi assaltado cinco vezes. Há seis anos na TCGL, ele teme pela sua vida e pelos passageiros. ''Ter um revólver apontado para a cabeça não é fácil.'' Manieri, casado, três filhos, afirmou que sempre pede calma aos assaltantes, que geralmente agem em dupla, dominando o motorista e cobrador. ''Se a gente fizer qualquer movimento eles não pensam para atirar.'' Segundo o motorista, não há linha e horário que escape da ação dos bandidos.

Na Francovig, outra empresa que opera no setor de transportes, até o dia 30 de novembro foram 74 assaltos, que ocorrem em linhas e horários variados. De acordo com a assessoria de imprensa, a Francovig prefere não declarar o montante dos prejuízos, mas informou que também colabora doando passes para a PM.

Com a Tranportes Coletivos TIL a história é a mesma. Os ônibus da empresa, que trafegam nas linhas intermunicipais, entre Londrina, Cambé e Ibiporã, já foram assaltados cerca de 40 vezes este ano. Segundo o gerente de tráfego, Rodolfo Neves, as abordagens sempre ocorrem à noite, geralmente com menores armados.

Para a Polícia Militar, a criminalidade nos ônibus está acontecendo na mesma proporção em que ocorrem os crimes em outros pontos e locais de Londrina. O capitão Edson Carvalho acredita que a crise, aliada aos problemas sociais, é responsável pelo aumento dos assaltos.

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