Número alto de notificações da dengue preocupa município
Londrina confirmou 228 casos da doença, mas das 2.375 notificações, quase duas mil ainda estão sob análise e confirmações podem crescer
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Londrina confirmou 228 casos da doença, mas das 2.375 notificações, quase duas mil ainda estão sob análise e confirmações podem crescer
Vitor Ogawa - Grupo Folha 
O município está com 2.375 casos notificados de dengue, dos quais 1.974 casos ainda estão sob análise, o que pode aumentar o número de confirmações da doença. Por ora, são 228 ocorrências. Desse total, todos os casos são autóctones, ou seja, foram contraídos no próprio município. Esses números ainda podem aumentar consideravelmente, pois as fichas são preenchidas manualmente e esses dados são digitalizados paulatinamente.

Segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Sônia Fernandes, Londrina até tem exportado casos para outros municípios, como São Paulo e Curitiba. Ela relata que pessoas que vieram passar o período de festas na cidade acabaram contraindo a doença aqui e manifestando os sintomas quando retornaram para os municípios de origem. Fernandes alerta que não há mais como separar as regiões da cidade apontando os pontos mais críticos de acordo com o índice de infestação predial porque ela tem observado que a cidade inteira causa preocupação em relação à dengue.
Sobre os dois óbitos com suspeita de dengue que ocorreram na cidade, uma mulher na faixa dos 20 anos e um homem na faixa dos 60 anos, ela destaca que será formado um comitê para avaliar os casos e fazer a divulgação oficial. “Mais do que encerrar os óbitos, nos interessa fazer uma análise de todo atendimento que foi prestado para essas pessoas para que nos sirva de alerta e instrumento educativo”, destaca. Ela explica que isso é importante principalmente se o caso de óbito for decorrente de um erro de atendimento para que ele não venha a se repetir.
Fernandes voltou a ressaltar que o Ministério da Saúde identificou que o Malathion - inseticida que utilizado no popular fumacê - não tem mais surtido o efeito desejado devido à resistência que o mosquito Aedes aegypti adquiriu contra o produto. “Por isso está se fazendo a substituição pelo Cielo. Na próxima semana, receberemos uma pequena quantidade de Malathion para usar em situações emergenciais. Isso é para ganhar um fôlego até a chegada do novo inseticida. Não é um alívio a ponto que todas as outras ações sejam deixadas de lado. É importante estarmos unidos para eliminar todos os focos da doença. O ideal é que não precisemos nem aplicar o inseticida. Só lembrando que o inseticida não é só para o Aedes aegypti. Ao aplicá-lo, matamos os inimigos naturais dele, como a libélula. Ou seja, temos um dano ambiental quando aplicamos o inseticida”, destaca.
Bomba costal
O Secretário Municipal de Saúde, Felippe Machado, afirmou que Londrina irá receber apenas mil litros do Malathion, que serão utilizados para aplicação por bomba costal. “Serão usados critérios técnicos da nossa equipe de endemias até que chegue o novo veneno, o Cielo, que deve acontecer na segunda quinzena de fevereiro. Aí vamos negociar com o Governo Estado a liberação de caminhões de UBV para que a gente possa percorrer a cidade, em especial aqueles bairros que mais nos chamam a atenção, para fazer o bloqueio adequado”, aponta.
Sobre os mutirões, ele ressalta que o município adotou uma rotina de realizá-los todo sábado em uma determinada região da cidade, com toda a força de trabalho, sem prejuízo aos demais mutirões realizados no meio da semana. “Finalizamos a zona leste, com mais de seis mil domicílios percorridos no jardim Santa Fé e Meton. Agora, neste sábado, toda a força de trabalho estará no conjunto Novo Amparo para fazer essa ampla ação, que deve se estender pelo bairro Felicidade, que é próximo. Não é uma localidade com muitos quarteirões, mas temos notado o aumento de casos notificados nas últimos dois dias na região. O objetivo do mutirão é percorrer todos esse domicílios e fazer o bloqueio de forma adequada para diminuir os casos de dengue na região”, destaca.
Multa não é solução, diz secretário
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, não acredita que a aplicação de multas a proprietários de imóveis em que forem localizados criadouros seja a ferramenta mais indicada no combate à dengue. Ele aponta que se isso fosse adotado, muitas pessoas passariam a impedir a entrada de agentes de endemias nos imóveis e que neste momento é importante que eles entrem nos quintais para fiscalizar e fazer a orientação adequada. “Já temos relatos de que a entrada deles não é franqueada em alguns domicílios. A partir do momento em que se anunciar que vai multar , isso vai piorar de forma absurda. Os moradores irão se assustar e é natural pelo relato de que mais de 98% dos criadouros estão nos quintais das casas das pessoas. A grande parte é composta por focos isolados, com um ou dois focos dentro dos quintais. Nos municípios que adotaram isso não houve mudança de cenário”, aponta.
“É o momento da cidade se unir, de ter consciência que a dengue é uma doença grave e de que a população precisa ajudar o poder público. Nós temos lançado mão de todas as ações disponíveis, mas essa batalha tem que ser travada por todo cidadão londrinense. Dessa maneira, com certeza conseguiremos evitar uma epidemia de dengue na cidade, com o que há de mais sério e mais grave nos surtos epidêmicos, que são os óbitos decorrentes dessa doença.”
Machado ressalta que a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Ricardo permanece com horário ampliado até 23 horas até conseguir estancar o número de casos na região. Ele ressalta que a sua pasta ampliou as escalas médicas das duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) no jardim Sabará e no jardim do Sol (zona oeste) e também no PAI (Pronto Atendimento Infantil) para que eles sejam referência para toda a cidade. Sobre a possibilidade de ampliar o horário de atendimento de outras UBSs, Machado diz que essa análise de área é realizada com equipe destacada. "Ao passo que observarmos a necessidade de ampliação de horário em outras unidades, lançaremos mão dessa ferramenta", garante.


