Curitiba - O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolecente Vítima de Maus Tratos (Nucria) recebeu ontem o exame toxicológico da enfermeira Tatiane Damiane, 41 anos, presa após jogar sua filha, Mariana, 8 meses, pela janela do sexto andar, em seu apartamento, no Centro de Curitiba, no final do mês passado. O exame foi realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) e mostrou que não havia vestígios químicos no sangue de Tatiane. Portanto, segundo o superintendente do Nucria, Luiz Augusto Souza, ela não estaria sob efeitos de drogas, nem mesmo dos remédios que estaria sujeita quando arremessou a criança. A avaliação psicológica e psiquiátrica deverá ser entregue à polícia no próximo dia 31.
Para o psiquiatra Marcos Weber, especialista em distúrbios de humor, a falta do remédio que ela tomaria, durante um tratamento psiquiátrico, pode ter ocasionado um surto, que teria feito que Tatiane matasse sua filha. ''A falta ou a interrupção abrupta do remédio pode ter causado isso'', explicou o médico. A polícia informou que ela teria tido outras três crises no passado. ''A maioria dos remédios usados na psiquiatria funcionam por continuidade. Se você toma uma remédio e interromper o uso, pode ficar exposto a uma crise'', afirmou Weber.
A enfermeira estaria passando por um tratamento psiquiátrico no Hospital das Clínicas (HC), onde trabalhava. A assessoria de imprensa do HC afirmou que não pode divulgar as informações sobre a enfermeira porque são sigilosas e burlaria a ética médica.
A polícia também recebeu a análise do local do crime e o histórico da funcionária do HC e do tratamento que teria feito no Hospital Bom Retiro. ''A análise do local atesta que a criança morreu de traumatisto crâniano, ou seja, que o bebê estava vivo quando foi jogado'', explicou Souza.

mockup