Nucria investiga crimes de estupro de vulnerável com uso do coquetel
Foram cumpridos nesta sexta-feira (12), seis mandados de busca e apreensão em Londrina e Rolândia; uma das residências fica em um condomínio de luxo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Foram cumpridos nesta sexta-feira (12), seis mandados de busca e apreensão em Londrina e Rolândia; uma das residências fica em um condomínio de luxo
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

O Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) cumpriu seis mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (12), para apurar a prática de crime de estupro de vulnerável com o uso do “Boa Noite, Cinderela”.
As investigações começaram há um ano com o apoio do Ministério Público, após uma prisão em flagrante envolvendo duas vítimas. Na ocasião, o médico perito atestou em laudo que havia fortes indícios de fornecimento de bebida alcoólica com sedativos, em razão da condição psicológica das vítimas. Sobre este caso, o Nucria ainda aguarda os exames toxicológicos que são realizados em Curitiba.
Dos imóveis que foram alvo na sexta (12), cinco são em Londrina, sendo uma residência em um condomínio de luxo, e um em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).
Sem dar muitos detalhes, já que as investigações correm em sigilo, a delegada do Nucria, Lívia Pini, disse que foram recolhidos aparelhos celulares, computadores e três medicamentos sedativos. “Todo o material será encaminhado para a perícia para dar andamento às investigações, inclusive os medicamentos. Também encontramos uma arma de fogo com registro”, afirma.
Três casos em 2019
Desde o início do ano, o Nucria já registrou três casos de estupro de vulnerável com a suspeita de uso do “Boa Noite, Cinderela”. Em geral, a delegada conta que as vítimas têm muita dificuldade em relembrar os fatos e chegam até a duvidar de que algo aconteceu.
“Por esse motivo, muitas acabam não registrando a ocorrência. Às vezes, elas até relatam que tiveram contato com sujeito do sexo masculino, de terem ingerido bebida alcoólica e de estarem em festas, mas muitas até dizem não sentir que foram vítimas de um ato sexual. No entanto, a desorientação, essa lacuna de memória recente são características do 'Boa Noite, Cinderela'”, comenta.
Segundo Pini, outra dificuldade na avaliação dos casos é devido a substância (sedativo) ficar pouco tempo no organismo. “Mas temos os indícios clínicos que são relevantes”.
Prevenção
A melhor forma de evitar esse crime é prevenindo crianças e adolescentes. A delegada recomenda que os pais conversem com os filhos sobre a existência dessa prática, especialmente quando vão em festas pequenas com grupos de outros amigos. “Também é preciso alertar sobre a oferta de bebidas de forma simpática. É preciso desconfiar sempre”.
Como a característica do “Boa Noite, Cinderela” é a desorientação e a maioria das vítimas não se recorda do ocorrido, a delegada reforça que mesmo diante de uma incerteza é fundamental fazer a denúncia à polícia e passar por exame no IML (Instituto Médico Legal). “Todas as medidas cabíveis serão tomadas, inclusive de profilaxia”, diz.
O crime de estupro de vulnerável prevê de 8 a 15 anos de reclusão. “Sendo ministrada a droga ou não, o simples fato da vítima estar em situação de vulnerabilidade por ter ingerido bebida alcoólica, já é possível a caracterização de crime de estupro de vulnerável”, pontua.
Serviço: O Nucria funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h, na rua Gago Coutinho, 833. O telefone é (43) 3325-6593. Denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia de polícia.


