Núcleo quer resgatar dependentes químicos
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Dos quatro mil presos atendidos, atualmente, pelo Sistema Penitenciário do Paraná, por cumprirem penas alternativas ou estarem em liberdade condicional os chamados egressos cerca de 70% são dependentes de drogas lícitas ou ilícitas. Na capital paranaense, o Patronato Penitenciário atende 700 egressos. Apenas duas psicólogas fazem o acompanhamento dos ex-detentos pelo período de um ano.
De acordo com a diretora do Patronato, Vera Lúcia dos Santos, no caso das mulheres a incidência das drogas é ainda maior. Quase 80% das apenadas são dependentes de drogas e foram presas por envolvimento com tráfico. A faixa etária varia entre 18 e 25 anos. ''O tráfico é um crime hediondo e o apenado tem que cumprir 60% da pena em regime fechado. Depois disso, poderá ir para as ruas, mas recebe um acompanhamento rigoroso''. Do total de egressos acompanhados pelo patronato, 10% acabam reincidindo.
Hoje, 200 egressos estão sendo acompanhados por determinação judicial. No entanto, outros poderão ser atendidos com a criação e inauguração do Núcleo de Orientação e Atendimento a Dependentes Químicos (Noad), unidade de apoio da Central de Execução de Penas Alternativas (Cepa) e do Patronato Penitenciário. A inauguração foi ontem e prestigiada pelo secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares; pela procuradora geral da Justiça, Maria Teresa Uille Gomes e pela primeira-dama de Curitiba, Marina Taniguchi.
De acordo com a coordenadora do Noad, Cléia Oliveira Cunha, a intenção é dar atendimento aos réus envolvidos com álcool e drogas e a seus familiares. O atendimento será estendido para os que cumprem penas alternativas e os egressos. ''Queremos resgatar o indivíduo'', afirmou a psicóloga.
Além de duas psicólogas, que poderão atender os dependentes químicos, serão utilizadas as estruturas da Universidade Tuiuti, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e Alcóolicos Anônimos (AA). ''Se de um grupo de dez presos, dois aderirem ao programa e conseguirem se livrar das drogas, já teremos atingido nosso objetivo'', afirmou Cléia. ''A conquista deste espaço permitirá que o réu termine o cumprimento da pena alternativa com o suporte e tratamento para que não reincida na prática de crimes em razão da dependência'', reforçou a promotora de Justiça Maria Espéria da Costa Moura, que atua na Cepa. Atualmente, a Cepa atende 900 dependentes que cumprem penas alternativas.


