Núcleo de ensino sugere parceria
O Núcleo Regional de Ensino (NRE) também vem intensificando o trabalho de orientação às escolas para que comuniquem as faltas ao Conselho Tutelar. ''Não posso dizer que a falta de comunicação não acontece. Mas nosso empenho é para que sejam cumpridos os prazos'', afirma Marlene de Mello, assistente do Núcleo.
Ela sugere, porém, que os Conselhos trabalhem em parceria com o Núcleo para reduzir as irregularidades. ''Isso facilitaria a nossa intervenção nas escolas. Cada menino que deixa de ir à escola nós vemos como mais uma vítima, que tem uma grande chance de fazer outras vítimas no futuro. Por isso, é preciso haver um esforço conjunto.''
A Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva, no conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste), é uma das que cumprem a determinação. Porém, isso ainda não tem conseguido trazer os alunos de volta à sala de aula. Segundo a coordenadora pedagógica Veralice Mariano, a escola já enviou este ano 25 notificações ao Conselho, mas até agora apenas um aluno retornou às aulas. ''A ficha é uma ótima iniciativa, mas a sua implementação é um pouco complicada. Falta estrutura pessoal'', avalia Veralice.
A coordenadora conta que os professores preenchem uma ficha quando o aluno tem três faltas consecutivas ou cinco alternadas, para dar tempo para a escola analisar o livro de chamadas e entrar em contato com os pais. ''A maioria não tem telefone ou trabalha o dia inteiro, então nós fazemos uma carta em duas vias e pedimos para um funcionário entregar pessoalmente no final da tarde ou mesmo à noite'', revela, ressaltando que essa comunicação depende então da boa vontade do funcionário, que não recebe por esse trabalho extra. Se, decorrido alguns dias, a família não entrar em contato com a escola, a ficha é enviada para o conselho tutelar.
Para chegar a esse nível de eficiência, porém, a escola precisou passar por um processo de adaptação. ''Era necessário esse trabalho de base, porque não dá para mudar de um dia para o outro'', explica Veralice.
A escola tem hoje 750 alunos de primeira a oitava séries, e, segundo informações da Secretaria de Estado da Educação, a taxa de abandono em 2006 foi de 10,30%. (A.I.)





