Edson MazzettoEmpurra-empurraProblemas nas casas do conjunto vão do piso ao teto; maioria das famílias deixou de pagar prestaçõesO núcleo habitacional Paulo Godoy, no bairro Santa Cruz (zona oeste), em Cascavel, é considerado pelos moradores como um dos exemplos do descaso com que a habitação popular vem sendo tratada. Com 394 casas, o núcleo foi inaugurado no final de 1995. A maior parte das casas, de 52 metros quadrados, encontra-se deteriorada.
Os problemas vão do teto ao piso: telhados afundados e com infiltrações, caibros e forro de péssima qualidade, paredes com reboco grosseiro e soltando, rede elétrica feita com pedaços de fio e sem isolamento, pisos rachados e fossas-negras já esgotadas.
O conjunto habitacional foi construído pelo programa ‘‘Casa da Família’’, da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), em convênio com a prefeitura, que contratou duas empreiteiras para executar as obras. Os moradores se comprometeram a pagar durante 25 anos prestação mensal equivalente a 20% do salário mínimo, mas a maioria deixou de pagar.
As famílias pedem soluções para os problemas desde o ano passado. Mas após transferências de responsabilidade entre prefeitura e empreiteiras, foram feitos apenas reparos que não eliminam os problemas.
A Cohapar ameaçou responsabilizar judicialmente as partes envolvidas no projeto, o que fez a prefeitura pressionar as empreiteiras a executar os reparos. ‘‘Em algumas casas fizeram alguma coisinha, que não muda nada’’, afirma a dona-de-casa Maria Helena Pinheiro, 34 anos, dois filhos, apontando para o telhado afundado de sua moradia. A vizinha Maria Luiza Bonifácio, 30 anos, três filhos, diz que operários das empreiteiras apenas jogaram ‘‘uma massinha nas telhas’’.
A casa onde moram Fátima Arceno, 24 anos, e outras quatro pessoas é exemplo do risco a que são submetidas as famílias. O encanamento por onde passa a fiação da energia elétrica não protege toda a extensão dos fios: chega somente próximo da casa e os fios prosseguem sem proteção, enterrados. No interior da casa, a rede é feita de pedaços de fio emendados grosseiramente. O piso, de cimento bruto, está todo rachado e o reboco do banheiro cai à menor batida.
O secretário municipal de Serviços Urbanos, Fernando Dillemburg, informa que a Cohapar pediu para a prefeitura um relatório da situação. Outra exigência é de que os moradores assinam um documento concordando com os reparos. Muitos moradores recusam-se a assinar e, segundo Maria Helena Pinheiro, ‘‘quem assinou é porque cansou de reclamar’’.
Dillemburg salienta que os problemas não foram gerados na atual administração municipal, mas garante estar empenhado na busca de soluções. Segundo o secretário, a prefeitura não vai se eximir de responsabilidades, inclusive porque o município é o responsável direto pelo convênio junto a Cohapar. Uma seguradora responsável pelas garantias negou-se a liberar seguros alegando haver ‘‘vícios técnicos’’ na construção.
A chefe da Cohapar em Cascavel, Carmen Lúcia Junqueira de Carvalho, diz que recebeu da prefeitura informação de que as empreiteiras realizaram reparos, que estão sendo verificados. ‘‘Vamos esperar o relatório para nos posicionar’’, afirma.

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