Novos tremores deixam moradores em alerta na zona leste
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Barulhos de explosão seguidos de tremores de terra foram percebidos novamente pelos moradores do Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina. "Depois de uma dessas explosões, as janelas de casa tremeram", contou o aposentado Artur Ianckievicz. Os sons que deixaram os moradores em alerta foram ouvidos por volta da 1h30 da madrugada de ontem, uma semana após o registro de um abalo sísmico de magnitude 1,8 grau na Escala Richter. "Esse foi mais fraco, mas a cama tremia na madrugada. Parecia um estrondo pequeno, que foi ficando mais forte", relatou a aposentada Maria Aparecida Ianckievicz, irmã de Artur.
A desmontadora de móveis Fabiane Ferreira mora há 15 anos no Jardim Califórnia e está apreensiva com as causas do barulho. "A gente não sabe o que é. É um tipo de explosão. É complicado viver nesse mistério", afirmou. "Faz dias que a gente está ouvindo isso e depois a gente sente a terra tremer. Parece uma bomba, mas não chegou a causar rachaduras aqui em casa", completou a aposentada Eunice Barreiros. Os tremores foram identificados por moradores das ruas Comandante Rhul, Comandante Ismael Guilherme, Humberto Nóbile e Almirante Crocane.
Segundo o coordenador adjunto da Defesa Civil de Londrina, Demerval Anderson do Carmo, relatos de tremor de terra foram registrados diariamente ao longo da última semana por meio de ligações feitas pelos moradores ao órgão. "Pelos relatos, a intensidade dos tremores variou e até diminuiu, mas nessa madrugada parece ter sido mais forte", afirmou. A Defesa Civil registrou 18 chamadas entre as 16 horas do último domingo e as 8 horas de segunda. "Ainda não sabemos o que ocorreu. Por enquanto, pedimos aos moradores que anotem os horários e a intensidade dos tremores para que possamos monitorar essas ocorrências", orientou.
O professor de geologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Paulo Pinese, ressaltou que representantes da instituição de ensino e técnicos do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) estão em contato para tentar viabilizar a instalação de um sismógrafo em Londrina, equipamento que detecta as movimentações do solo. No entanto, será preciso aguardar o recesso de fim de ano. A estação mais próxima a Londrina fica na cidade de Fartura (SP), a 163 km de distância.
Conforme Pinese, é comum o registro de novos tremores de terra após a ocorrência de um abalo sísmico. "A movimentação das placas tectônicas é constante. Na parte interna das placas, os movimentos resistem, mas também ocorrem. Após um abalo sísmico, há o que chamamos de réplicas e tréplicas, movimentos que, geralmente, são de maior intensidade. Essa situação de Londrina não parece ser muito preocupante, já que os moradores relatam que os tremores foram mais fracos", explicou. Segundo o geólogo, os estalos ouvidos pouco antes dos tremores são causados pela movimentação da terra ou das próprias construções.
O técnico do Centro de Sismologia da USP, José Roberto Barbosa, explica que desta vez o sismógrafo localizado em Fartura (SP), a 160 km de Londrina, não detectou um abalo sísmico como aconteceu na semana passada. Ele destacou que o Brasil está localizado no meio da placa tectônica sul-americana, que possui algumas camadas de diferentes materiais que podem sofrer acomodação de alguns centímetros por ano. "É natural que essas camadas acumulem uma certa quantidade de tensão, mas as vibrações que foram ouvidas não foram suficientes para serem captadas", apontou. Ele destaca que o Nordeste é onde mais acontecem esses microtremores, que às vezes nem são percebidos, mas quando ocorrem em áreas urbanas as pessoas se assustam porque não estão acostumadas. "Temos que torcer para que não evolua para sismos maiores", afirmou.(Colaborou Vítor Ogawa)


