Uma vida inteira de dedicação, amor e doação ao próximo é característica de quem decide seguir o sacerdócio, mas o perfil vem mudando ao longo dos tempos. O padre foi por muito tempo considerado o centro do poder sagrado, o que ocasionava um distanciamento do povo. A partir da década de 60, porém, a Igreja Católica passou a modernizar suas ações, deixando de exigir, inclusive o uso da batina.
''Esse novo perfil coloca o padre realmente no meio do povo, ele visita as famílias, participa de festividades, trabalha com a juventude, enfim é a imagem do Bom Pastor que está entre as suas ovelhas para conduzi-las e salvá-las'', explica a teóloga Marlene Maria de Lima Urbaneja, de Londrina.
Um exemplo é o padre Alexandre Awi Mello, 38 anos, que vive rodeado por jovens. Ele é coordenador da juventude do Movimento de Schoenstatt há oito anos. Além disso, encontra tempo para lecionar na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina. Como fez voto de pobreza, ele explicou que o salário é revertido para a congregação.
Para entrar na vida religiosa, ele deixou a carreira militar e um namoro. Descobriu a vocação ainda no Colégio Naval, no Rio de Janeiro, onde o capelão apresentou uma imagem de Maria. ''Percebi que eu podia dedicar todo meu tempo para as coisas de Deus, para a Igreja. Então imaginei que isso poderia ser algo para toda vida, mas não é um processo simples'', confessa.
Se tivesse continuado na Marinha Brasileira, onde iniciou os estudos com 14 anos, hoje seria capitão de fragata. ''Fiquei cinco anos na Marinha e, faltando dois para sair graduado como oficial, me retirei para entrar no seminário'', comenta, lembrando que rezou a missa de formação dos companheiros da Marinha. Ele também é o responsável pela celebração de casamentos e batizados da família, que continua no Rio de Janeiro, para onde viaja todos os anos.
Ele teve formação na Argentina, Chile e Alemanha, sendo ordenado em 2001 na capital carioca. Em Londrina, o trabalho se concentra no Movimento de Schoenstatt. Além das celebrações de missas, passa os dias elaborando ações para atuar com esse público em encontros na cidade e outras regiões.
''A dificuldade que sinto é de trabalhar com jovens no mundo de hoje. Tentar transmitir algo de Deus num mundo em que ser de Deus é careta, é uma coisa retrógrada. A Igreja é considerada conservadora, castradora. Mas não tenho dúvida alguma da decisão que tomei na vida. A pessoa pela qual eu me entrego, que é Cristo, vale uma vida, vale o tempo da gente, vale o amor em ajudar outras pessoas serem mais felizes.''
Diferenças
Atualmente a Arquidiocese de Londrina conta com 73 paróquias e 144 padres. Discutir a importância do papel do sacerdote na sociedade contemporânea é o objetivo da greja Católica, que está celebrando até junho do ano que vem o Ano Sacerdotal.
A teóloga explica que a formação de um padre requer faculdades de Filosofia e Teologia e que existe diferença entre padres diocesanos e religiosos, que pertencem a determinadas congregações e fazem votos de pobreza.
''Os diocesanos não fazem esse voto porque são administradores, eles não têm salários, porque salário acarreta encargos trabalhistas, por isso recebem uma contribuição da paróquia ou da diocese como ajuda de custo chamada congruas. Para realizar sua missão, além de todo estudo acadêmico, é imprescíndivel a experiência humana, o estar com as pessoas, conhecer para amar''. diz.

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