Um novo grupo de trabalhadores rurais sem-terra que diz querer conquistar terras dentro da lei, sem violência e sem radicalismos, está realizando ocupações de propriedades rurais no Noroeste do Paraná há cerca de 60 dias. Batizado de Movimento Sindical Grupo Renascer, o grupo é composto por cerca de 90 famílias de trabalhadores rurais desempregados que moram na cidade de Mirador, localizada a 50 quilômetros de Paranavaí.
A última ação do grupo foi a ocupação da Fazenda Ipê, em Mirador, no dia 28 de janeiro. Esta foi a terceira ação organizada pelo Renascer. Outras duas ocupações anteriores foram abandonadas depois de acordos com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Segundo os sem-terra, a Fazenda Ipê, com cerca de 200 alqueires, já foi declarada improdutiva pelo Incra e por isso foi ocupada. Os proprietários da área contestam o argumento e já conseguiram um mandado de reintegração de posse no dia 1º de fevereiro.
O coordenador do Renascer, Antônio Malaquias, explica que o grupo ainda não deixou a área porque não recebeu oficialmente a decisão da Justiça. Ele diz que, mesmo depois de citado, só vai se posicionar depois de esgotados todos os meios legais. ‘‘O recurso para garantir a nossa permanência na área já está pronto no departamento jurídico da Federação dos Trabalhadores de Agricultores do Paraná (Fetaep)’’, avisa.
Malaquias, 45 anos, foi vereador pelo PMDB entre 1989 e 1992 na cidade de Mirador, região em que trabalhou como funcionário de diversas fazendas. Hoje, tira seu sustento de uma chácara de sua propriedade. Ele nega que estaria buscando se aproveitar politicamente de sua liderança sobre o grupo Renascer. ‘‘Abandonei a política e não vou mais me candidatar’’, diz.
Uma das maiores preocupações de Malaquias é que o Renascer não seja visto como um grupo dissidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). ‘‘O movimento é municipal e foi criado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mirador, com apoio da Fetaep e da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag)’’, explica.
Segundo Malaquias, o objetivo é participar da reforma agrária pela forma legal e conseguir um pedaço de terra para os trabalhadores que não estão conseguindo emprego na cidade. Cerca de 90 famílias, num total de 300 pessoas, estão hoje no assentamento do Grupo Renascer. Outras 50 famílias podem se juntar a eles nos próximos dias. Mesmo com tanta gente sob suas ordens, Malaquias diz nunca ter tido nenhum problema nos assentamentos. ‘‘Não permito armas de fogo, caça ou pesca dentro das propriedades que ocupamos. Também não abatemos animais, e não impedimos o acesso e o trabalho nas fazendas em que estivemos’’, diz.
Esta opinião encontra eco no comandante destacamento de Mirador cabo José Carlos Batista Magalhães. ‘‘O pessoal é educado, cortês, e não existem brigas’’, diz.

mockup