Novos projetos para renovar a vida
Anaíde Franco Godoi, 77 anos, abraçou um novo projeto logo depois da aposentadoria, aos 53 anos. Tornou-se tesoureira do grupo da terceira idade do Serviço Social do Comércio (Sesc), em Londrina. ''Comecei a trabalhar muito cedo, aos 11 anos. Fui aeromoça e secretária, mas dona de casa mesmo só depois de aposentada'', conta.
Como não se casou - ela sofreu a perda de um namorado e resolveu dedicar-se aos estudos e à carreira -, aos 49 anos adotou Maria Julia, ''para espantar a solidão''. Além do trabalho no Sesc, Anaíde aproveita o tempo livre para cuidar da filha, hoje com 18 anos, de seu cachorro e suas árvores. ''Hoje tenho mais tempo para o lazer, convivo muito mais com os amigos e estou sempre conhecendo pessoas novas'', comemora. ''Mas ainda quero arranjar mais tempo para fazer aulas de dança com as minhas companheiras de Sesc'', completa.
Primeira museóloga de Londrina, a pedagoga Marina Zuleika Scalassara, 73, parou de trabalhar no Museu Histórico - onde permaneceu por mais de 30 anos - há apenas três anos. Desde então vinha cuidando da mãe, de 91 anos, que faleceu há dois meses. ''Não vou negar que foi difícil parar de repente'', declara a museóloga, que aos poucos tem retomado sua vida.
''Continuo muito ligada ao museu e à cultura em geral. No início do ano, participei de um projeto da prefeitura, no qual fui guia turística de um roteiro histórico da cidade'', assinala a museóloga, que planejava seguir carreira como guia após a aposentadoria, ''mas teve limitações''.
Nascida no interior de São Paulo, ela chegou a Londrina com a família no início da década de 1950, quando também ingressou no Movimento Schoenstatt, da Igreja Católica, o qual frequenta ainda hoje. ''Fui consagrada pelo movimento. Optei pela vocação e pelo celibato, por isso nunca me casei.''
Isso nunca foi problema para ela, já que sua casa nunca fica vazia. ''Tenho seis irmãos e 19 sobrinhos e moro com meus pais, sempre tive a companhia de todos. Costumava até gravar as primeiras palavras, os primeiros cantos de cada um dos meus sobrinhos'', recorda.
Aos 95 anos, o pai de Marina, Victorio Scalassara, é exemplo de vivacidade. Mesmo aposentado, continua trabalhando diariamente na loja de insumos de um dos filhos, além de cozinhar ocasionalmente. Sua especialidade são os doces. ''Acho que ele encarou bem a velhice porque nunca parou de verdade'', conclui a filha. (M.G.)





