Novos parques devem evitar cheias
Um projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente pretende ampliar em mais 1,4 milhão de metros quadrados os parques lineares de Curitiba. O projeto apresentado recentemente ao prefeito da capital, Cassio Taniguchi, pode minimizar prejuízos provocados pelas chuvas, como os ocorridos nos últimos dias e que custarão mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos.
Mas o problema é exatamente o dinheiro. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, faltam recursos para pôr em prática as propostas que farão, por exemplo, que toda a Baia do Bacacheri seja protegida, por parques e leis, de ocupações irregulares. Dos 19 quilômetros da baía, conforme Tocchio, apenas quatro ainda não são protegidos dessa forma.
Os planos, no entanto, incluem outros rios e áreas de fundo de vale do município. Entre elas, estão as bacias do Passaúna, Barigui, Rio Belém e Atuba. Segundo Tocchio, a criação dos parques e lagos serve para regular a vazão de água dos rios, impedindo que áreas mais baixas sejam alagadas. Os lagos do parques aumentam de volume nas chuvas e inundam os parques, mas não atingem as pessoas, disse.
A Prefeitura, porém, enfrenta o desafio de impedir que áreas baixas e na beira de rios sejam ocupadas irregularmente. Para enfrentar o problema, a Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) está fazendo um levantamento de todas as áreas que já foram ocupadas de forma irregular.
A intenção, segundo o presidente da Comec, Paulo Kawahara, é apresentar um plano de habitação que possa, ao mesmo tempo, contemplar as famílias que estão nas listas de espera dos programas de habitação e a relocação daquelas que residem nas áreas ocupadas. Kawahara disse que ainda não tem o número de áreas ocupadas de forma irregular.
Nestas, conforme o secretário de meio ambiente, o melhor caminho é a construção de parques, o que impede, em tese, as ocupações. No entanto, nem sempre é assim. Basta verificar, conforme lembrou Kawahara, que mais de mil famílias ocuparam de forma irregular o Parque Iguaçu, em outubro de 1998. Todas continuam lá e é provável que o número de famílias tenha aumentado sensivelmente.
Retirá-las, reconhece Tocchio, é bem mais difícil do que impedir as ocupações. O drama, segundo ele, é que as autoridades estão numa sinuca de bico: as ocupações irregulares acontecem com maior frequência do que a concretização dos parques ou a relocação das famílias.Projeto prevê a criação de 1,4 milhão de metros quadrados de áreas de preservação de fundos de vale
Arquivo FolhaAlagamentoNas margens do Rio Barigui, menino observa as águas que passam bem junto à casa; problema se repete em praticamente todos os rios de CuritibaJames Alberti





