Municípios do Estado que têm cadeias públicas desativadas estão se mobilizando para aproveitar estruturas ociosas, geralmente localizadas em regiões nobres. Enquanto em Londrina o conhecido prédio da Rua Sergipe deve se transformar em centro cultural, a prefeitura de Cornélio Procópio (Norte) tenta conseguir a posse da edificação que abrigou o cadeião para criar um centro integrado de atendimento. Em Maringá (Noroeste) o projeto é mais audacioso e prevê a demolição do antigo prédio, construído na década de 50. Porém, a Secretaria de Estado de Segurança Pública não reconhece a existência destas estruturas desativadas no Paraná.
A prefeitura de Cornélio obteve na semana passada uma certidão contendo a relação de imóveis do Estado, onde não está incluído o cadeião. O próximo passo, segundo o vice-presidente da Câmara de Vereadores do município, Ricardo Leite Ribeiro, será entrar com uma ação de usucapião. ''Como o imóvel está no nome de um pioneiro, acreditamos que não haverá problema. A posse por parte do poder público já está configurada, só falta regulamentar'', informou.
O cadeião foi desativado há três anos, com a inauguração da nova cadeia pública, e desde então passou a ser utilizado por usuários de drogas e moradores de ruas, transformando-se em problema para os vizinhos. Se tiver sucesso o processo, no local deverá ser instalado um Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (CIAC).
Para alívio da população do entorno, a ideia é que no prédio da Rua Quintino Bocaiúva passe a funcionar a Delegacia da Mulher, Instituto Médico Legal (IML), Instituto de Criminalística (IC), setor de identificação para expedição de registro geral (RG) e posto de atendimento da Polícia Militar, além da sede do Conselho Tutelar. O projeto foi desenvolvido pelo Conselho Municipal de Segurança (Conseg).
Em Londrina, as celas que funcionavam em anexo à 10 Subdivisão Policial (SDP) foram desativadas em 1994 e, de lá para cá, a estrutura construída há mais de 70 anos só se deteriorou. No ano passado o prefeito Barbosa Neto (PDT) chegou a anunciar a criação, no local, de uma escola de música, mas em fevereiro deste ano foi divulgado um novo projeto, em parceria com o Sistema Fecomércio Sesc/Senac. Em troca de um terreno de 9 mil metros quadrados na Zona Norte para construção de um centro de formação profissional, o Sistema pretende recuperar a estrutura da edificação, criando ali um centro de cultura.
Pelo projeto, as celas darão lugar a auditório, biblioteca, salas para oficinas e cursos, galeria e atelier de artes, salas para ensaios e práticas de atividades musicais, teatrais e de dança. Cerca de R$ 1,8 milhão devem ser gastos nas obras de revitalização e equipamentos. Atualmente o projeto de lei para cessão da área na Zona Norte está em tramitação na Câmara, para análise da documentação por parte da assessoria jurídica. Só após sua aprovação as obras da Sergipe poderão ser iniciadas. Até lá o londrinense continuará convivendo com a deteriorada estrutura de concreto e com as indesejáveis lembranças que ela representa.

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