Quatro meses após o vazamento de óleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, a Petrobras se envolve em novo acidente no Paraná. Desta vez foi em Paranaguá. A válvula da tubulação que leva óleo do terminal da Transpetro (empresa subsidiária da Petrobras) para a Repar estourou por volta das 18h45 de sexta-feira e despejou óleo diesel no local, inclusive no mar. A informação divulgada no momento do acidente foi de que 3 mil litros de diesel teriam vazado. Mas ontem a diretoria da D.T. Sul (Dutos e Terminais do Sul), empresa que administra a Transpetro, comunicou que foram despejados 450 litros, dos quais 50 litros atingiram a Baía de Paranaguá.
O superintendente da D.T. Sul, João Carlos Emiliano Lopes, disse que a diferença nos números divulgados se deu pela pressa e desinformação no momento do acidente. Até mesmo o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Andreghetto, foi informado de que 3 mil litros haviam contaminado o local. A previsão da Petrobras e da Defesa Civil era terminar a operação de limpeza até o final da tarde de ontem. Cerca de 60 homens da Petrobras e Corpo de Bombeiros foram mobilizados para limpar o local.
Em comparação ao vazamento de junho, na Repar, que atingiu os rios Barigui e Iguaçu, o caso de ontem foi de proporções bem menores. Em Araucária vazaram 4 milhões de litros de óleo cru. ‘‘Desta vez foi óleo diesel, que por ser menos denso, fica na superfície da água e é mais fácil de ser retirado’’, disse o gerente de Segurança e Meio Ambiente da D.T. Sul, Rogério Zagonel Torres.
O gerente garantiu também que o óleo não chegou a ultrapassar a barreira de esponjas colocadas para segurar a sujeira. No entanto, ao sobrevoar a baía de Paranaguá, o responsável pelo Ibama no litoral, Lício Domit, e o superintendente da D.T.Sul, identificaram uma extensa mancha de óleo, no mar. ‘‘Tudo leva a crer que o óleo é do vazamento, mas só teremos certeza após uma análise’’, afirmou Domit.
A Petrobras trabalha com a hipótese de que o óleo encontrado no mar pode ser resultante da lavagem dos porões de navios que atracam no Porto de Paranaguá. A mancha está concentrada no meio da Baía, entre o cais do porto e a Ilha do Amparo, chegando até a 100 metros da ilha. O Ibama quer a limpeza urgente do local, pois há cultivo de ostras e pesca de camarão em Amparo.
Os pescadores da região se preocuparam com o acidente. O presidente da Confederação Nacional dos Pescadores, Edmir Manoel Ferreira, acompanhou todo o trabalho de limpeza. ‘‘Ficamos preocupados com a proporção. Sempre sobra algo para o meio ambiente’’, reclamou Ferreira. Ele lamentou não ter como descobrir a extensão da poluição ambiental. Em Paranaguá há cerca de 2 mil pescadores, sendo que 200 costumam pescar camarão próximos ao local do vazamento.
O acidente em Paranaguá só não foi maior, porque na hora em que o óleo começou a vazar havia um funcionário da Transpetro acompanhando a operação. Ele acionou o mecanismo para fechar a válvula. Segundo Rogério Zagonel Torres, o óleo vazou no máximo por um minuto.

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