Uma reunião entre o governador do Estado, Jaime Lerner e as concessionárias do Anel de Integração pode definir hoje o aumento do pedágio, que ficaria em torno de 75%, com valor diferencido para eixos. O governador, então, divulgaria os novos valores antes de embarcar, à noite, para os Estados Unidos, onde fica por 14 dias nas festas do casamento da filha mais nova. Com o anúncio, Lerner não deixaria à vice-governadora, Emília Belinati, uma oportunidade de interferir no impasse enquanto estivesse longe do governo. Ontem de manhã, o governador reuniu-se com membros de sua equipe para definir as principais obras do setor rodoviário que pretende ver realizadas na sua gestão. A definição é a base do acordo com as concessionárias.
A reunião de hoje representa um recuo do governo, que na segunda-feira havia suspendido as negociações com as empresas, que tinham recusado a proposta de reajuste de 75%, considerada ‘‘impraticável’’. As empresas querem aumento escalonado, que em determinados trechos supera 100%. Querem, mas não vão conseguir. Se não houver acordo, o governo pretende fixar, unilateralmente, o novo preço do pedágio. Por conta disso, o aumento deve mesmo ser da ordem de 75% e diferenciado para eixos - uma imposição de Lerner. Este critério torna o aumento menor para caminhões.
O argumento principal para recusar a proposta das concessionárias é o de que um reajuste superior a 75% seria politicamente prejudicial ao governo. A partir da divulgação dos novos preços, as concessionárias teriam prazo de cinco anos para realizar as duplicações entre Ponta Grossa e Apucarana (BR-376); de Campo Mourão a Cascavel (BR-369), e de Cascavel a Santa Terezinha de Itaipu (BR-277).
Já as concessionárias recusaram a proposta de 75% porque acreditam que existe a possibilidade de retorno do problema que motivou a ação na Justiça, há quase um ano. Na época, quando Lerner reduziu o pedágio pela metade, as empresas usaram o argumentado da falta de equilíbrio econômico-financeiro para reduzir as obras.

mockup