Novo surto de dengue ainda é um risco
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Tempo quente e chuva. Essa combinação climática característica do verão, mas que já pode ser percebida na primavera, está trazendo de volta o ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypit, mosquito transmissor da dengue. Para reforçar o combate ao mosquito, 160 alunos dos cursos de medicina e enfermagem estão desenvolvendo um trabalho junto às 10 Unidades Básicas de Saúde (UBS) que mais tiveram casos da doença este ano em Londrina. Eles integram o projeto ''Interação Comunitária'', da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e apresentaram propostas ontem à tarde a membros da Secretaria de Saúde.
Para o coordenador do projeto, professor João Campos, ''o risco de uma nova epidemia é imenso, e dessa vez de ocorrer dengue hemorrágica, caso não haja um trabalho intensivo de combate''. Para isso, ele apontou que a universidade vai trabalhar na mobilização e também na implantação e fiscalização das armadilhas juntamente com a 17 Regional de Saúde. Neste ano foram registrados 5.843 casos da doença.
A estudante do 1º ano de medicina Érika Negrão, que atua na UBS da Vila Nova (área central), disse que o alto número de pessoas que trabalham com reciclagem de lixo na região é um dos fatores de risco para o que ela denominou ''epidemia iminente de dengue''. Ela também lembrou que os sintomas da dengue são semelhantes aos da gripe e com isso muitas pessoas não procuram a UBS, dificultando o diagnóstico.
O também estudante Celso Willian, que fez o trabalho na UBS do Jardim União da Vitória (zona sul), destacou que a maior preocupação é que as pessoas que já tiveram dengue não voltem a apresentar a doença pelo risco de contraí-la na forma hemorrágica, que pode levar à morte. O estudante observou que o trabalho deles é uma maneira de devolver à sociedade um pouco do que ela dá à universidade através de impostos.
A gerente do setor de epidemiologia da prefeitura, Josemari de Arruda Campos, assistiu a apresentação dos estudantes e disse que as propostas já estão preconizadas pela Secretaria de Saúde. No entanto, ela lembrou que a integração da academia com a secretaria é uma estratégia estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que eles vão ajudar no combate à doença. ''Evitar novos casos é praticamente impossível, mas acreditamos que estamos melhor preparados para evitar o surto'', enfatizou.
O índice de infestação do mosquito na cidade, medido em agosto/setembro, é de 0,45, valor considerado seguro pela OMS. Segundo o chefe da Regional, Gilberto Martin, várias atividades como mutirão de limpeza e preenchimento da Ficha de Identificação de Risco estão sendo realizadas.
Ele informou que um problema burocrático no repasse de recursos atrasou a implantação das 40 mil armadilhas em Londrina e região. ''Espero resolver isso ainda essa semana'', afirmou. Para Martin, somente uma somatória de ações envolvendo a própria secretaria e a mobilização da comunidade podem controlar a proliferação do mosquito. ''O risco continua existindo.''


