Curitiba - A unidade de saúde do Sítio Cercado estava lotada na tarde de ontem. Entre tantas pessoas que esperavam atendimento estava Claudete Tomazon. Aos prantos, ela se queixava de dores fortes nas costas. ''Não faz muito tempo que estou esperando, mas não aguento mais de dor e só vão me atender depois que fizerem uma pré-avaliação'', reclamava. Na fila para fazer a pré-avaliação, dezenas de outras pessoas em situação semelhante também reclamavam.
Neuri Aparecida Guelinger estava no posto há três horas esperando atendimento para a filha de um ano e três meses. O bebê estava com febre alta e vômito. A mãe já tinha passado por outros dois postos, na tentativa de conseguir atendimento com um pediatra. ''A pediatra que atende no posto perto da minha casa está de férias. Devia ter voltado ao trabalho na semana passada, mas não voltou'', reclamava.
Os problemas no sistema de atendimento de saúde em Curitiba, especialmente nas unidades 24 horas, ficaram mais visíveis com a implantação do convênio de cooperação técnica entre a prefeitura e os hospitais universitários da cidade. Por este convênio, ficou definido que os hospitais seriam responsáveis por colocar médicos nos postos. A intenção dessa medida é agilizar o atendimento daqueles pacientes em estado grave.
Porém, como um dos hospitais demorou para colocar o convênio em prática, os outros postos acabaram sobrecarregados. ''Pela característica do Hospital de Clínicas um hospital público houve demora no início do atendimento nas duas unidades que foram conveniadas com este hospital. Essa demora provocou um desequilíbrio no sistema'', reconhece a superintendente da Secretaria Municipal de Saúde, Ivana Busato.
Além disso, muitos médicos teriam desistido de atender nessa unidades por causa da grande demanda e da agressividade da população. A supervisora do Distrito Sanitário do Bairro Novo, onde fica a unidade do Sítio Cercado, Edimara Seegmuller, conta que nos primeiros 30 dias do convênio 15 médicos desistiram de atender na unidade.
Ontem o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindisaúde) foi ao Conselho Municipal pedir que o convênio fosse cancelado. O pedido não foi acolhido. Durante o encontro, o secretário municipal de Saúde, Michele Caputo Neto, criticou a mobilização dos funcionários, lembrando que em duas das cinco unidades 24 horas o convênio começou a ser cumprido nesta semana.
''Como é possível fazer uma avaliação de um sistema que funcionou só por dois dias'', questionava. O Sindisaúde sugeriu então que fosse feita uma reunião extraordinária dentro de dez dias para analisar todas as cláusulas do convênio, mas os conselheiros também não aprovaram o pedido. ''O Conselho se omitiu, se recusou a fazer o seu papel'', criticou a coordenadora do Sindisaúde, Mari Elaine Rodela.
A superintendente da Secretaria, Ivana Busato, disse que espera ver todas as dificuldades que estão existindo resolvidas ainda esta semana, já que agora o convênio está sendo cumprido nas cinco unidades. Cada hospital recebe até R$ 90 mil por mês pelo atendimento.
Mesmo diante das reclamações de usuários e funcionários das unidades, Ivana vê avanços no atendimento com a implantação do novo sistema. ''Hoje um paciente grave não fica nem 20 minutos dentro de uma unidade 24 horas. Ele passa pelos exames preliminares e tem uma vaga garantida nos hospitais da cidade. Antes do convênio, era preciso buscar uma vaga na rede de hospitais e essa busca poderia até custar a vida do paciente, por causa da demora'', considera a superintendente.

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