Novo serviço entrega bebuns em casa
Milton DóriaAo volanteSérgio de Souza, um dos criadores do novo serviço: A gente só sabe que espera trabalhar bastante. Disposição é o que não falta Uma boa notícia para quem não consegue passar um final de semana sem tomar cerveja com amigos nos bares e também não quer deixar de lado o conforto de sair de casa com o próprio carro. Foi criado em Londrina, pelos primos Sérgio de Souza, 24 anos, e Alexandro Pezarine, 21, o serviço Entregue Car, ou Disque Pileque, como já começa a ser conhecido. Trata-se de uma idéia simples mas que poderá ser útil àqueles que querem fugir dos rigores do novo Código de Trânsito, que prevê até prisão ao motorista que for flagrado dirigindo com uma dosagem de álcool superior a 0,6 miligramas por litro de sangue - o que equivale a aproximadamente uma garrafa de cerveja ou então duas doses de uísque.
O Entrega Car funciona da seguinte maneira: a pessoa está no barzinho, acha que já é hora de ir para casa, mas tem consciência de que não há mais condições de dirigir. Ele liga para a empresa - um telefone celular ligado 24 horas por dia - e os primos entram em ação. Eles vão até o bar, de carro ou motocicleta, e um deles assume o volante do carro (ou motocicleta) do cliente. Quando a gente entra no veículo do cliente a responsabilidade passa a ser nossa. Então a gente pede para todo mundo colocar o cinto de segurança e leva o carro na maior segurança, diz Sérgio.
O preço do serviço é R$ 10 por corrida, independente da distância percorrida - desde que seja dentro do perímetro urbano. Caso o destino final seja fora de Londrina, o valor deverá ser combinado antes da corrida, conforme a distância a ser percorrida. Sérgio de Souza destaca que em momento algum eles vão transportar o cliente dentro do carro da empresa, para que o serviço não seja confundido com táxi. Ele garante também que, enquanto estiver no volante do carro da pessoa, a empresa se responsabiliza por qualquer tipo de acidente ou multa por infração de trânsito. A não ser, é claro, se a multa ocorrer porque o próprio veículo não estiver adaptado conforme a lei. Mas o que a gente garante é uma espécie de seguro, só que não formalizado.
E não é só freguês de boteco o público alvo da empresa de Sérgio e Alexandro. Eles apostam também em situações distintas, como por exemplo a senhora que precisa sair de casa para ir ao shopping ou ao cabeleireiro, mas não se sente segura para conduzir o carro sozinha. Ligando para o Entregue Car, os primos vão até lá, levam a cliente para o destino desejado, e depois vão buscá-la de volta, se necessário. Sempre com o carro do cliente. Seria uma espécie de motorista particular, explica Sérgio.
A expectativa dos primos, porém, é que a grande demanda seja mesmo encontrada entre os fregueses de bar. Foi neles que a dupla se inspirou quando criou o serviço. Eu estava ouvindo no rádio sobre o pessoal que foi preso no final de semana, acusado pelo bafômetro. Aí pensei que poderia inventar alguma coisa para ajudar esse pessoal, para deixá-los mais tranquilos para beber à vontade. Então surgiu a idéia, comenta Sérgio, que é formado em Prótese Odontológica mas estava sem trabalho nos últimos meses.
Outra inspiração para criar o serviço, segundo ele, foram as constantes bobagens que tem visto nos finais de semana no trânsito de Londrina, de madrugada, sobretudo na área central, onde mora. Tem cada coisa feia por aí que não é fácil, aponta. O pessoal bebe e não quer saber de nada. Aqui na esquina do prédio (rua Hugo Cabral, entre Pará e Goiás) o pessoal fura o sinal direto, ningúem pára, nem para ver se vem carro do outro lado. Por isso esse serviço vem bem a calhar.
Sérgio de Souza também não deixa de fazer auto-promoção sobre suas habilidades no volante. Ele garante que é um motorista altamente capacitado, apesar de nunca ter trabalhado na área, como motorista profissional. Já tive vários carros e meu pai também trabalhava com venda de veículos. Por isso não vou ter dificuldade nem vou estranhar qualquer tipo de automóvel, diz. E todo mundo que tem carro tem um certo ciúme do veículo. Por isso não pode ser qualquer um que vai assumir o volante, tem que ser alguém capacitado e com muita responsabilidade. Ele afirma que nem ele nem o primo gostam de bebidas alcoólicas.
Para divulgar o novo serviço, a dupla pretende passar os finais de semana em barzinhos distribuindo panfletos aos clientes, além de contatar os donos dos estabelecimentos. Sérgio acredita que, com uma lei mais rigorosa com o motorista, tem muita gente que pode deixar de sair de casa - ou então consumir menos - para não correr o risco de ser preso ou multado. Os donos de bar vão achar importante o serviço, porque eles podem correr o risco de ver o movimento cair bastante. E todo mundo que a gente tem conversado diz que a idéia do Entrega Car é excelente, que vai dar certo.
Com um investimento inicial pequeno - basicamente telefone celular, impressos de propaganda e custos para abertura de firma, já que um sócio já tinha motocicleta e o outro automóvel -, os dois primos ainda não têm idéia de qual será o lucro da empresa nos próximos meses. A gente só sabe que espera trabalhar bastante. Disposição não falta, conta Sérgio. E enquanto a empresa não encontra um ponto comercial para estabelecer o negócio, os primos só não vão divulgando o novo trabalho como também já começam a atender as primeiras chamadas neste final de semana. O número do telefone celular, não por acaso, é bastante sugestivo: 995-0051. Acionar o serviço pode mesmo ser uma boa idéia para quem não quer arriscar a saúde do bolso, do carro e do corpo voltando para casa dirigindo de pileque.





