Londrina – O retrato da vida simples do frentista João José da Costa, de 68 anos, não está no seu caminhão F-4000, ainda da década de 80 e que passa boa parte do tempo estacionado na rua, mas na sua humilde casa localizada nos fundos do Jardim Catuaí, zona norte de Londrina. Ele mora há mais de nove anos em um casebre de alvenaria inacabado, sem calçamento e composto por três cômodos, onde vive com a filha e dois netos.
Para dormir, o grupo se divide entre o quarto e a sala. A preferência é sempre para o neto mais novo, que nasceu com um grave problema de saúde, hidrocefalia. "Ele é cego, já teve câncer e requer bastante atenção", disse o frentista.
Costa sonha com uma condição de vida melhor e a casa própria faz parte desse projeto. "Nunca vivi numa casa própria, sempre pagando aluguel. Se tivesse um novo conjunto aqui perto, faria inscrição", idealizou. Sonho que pode estar próximo.
A Prefeitura de Londrina assinou ontem convênio na ordem de R$ 82,8 milhões com a Caixa Econômica Federal e com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) para construção de 1.218 moradias na zona norte. As famílias atendidas têm entre zero e três salários mínimos, prioridade para quem já está inscrito na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). É o caso da desempregada Viviane Paulino de Souza. "Sou casada há sete anos. Eu e meu marido estamos pensando em ter um filho, mas o aluguel inviabiliza esse projeto. Quem sabe se formos contemplados desta vez", disse.
O Residencial Flores do Campo 1 será erguido em uma área de 408 mil metros quadrados localizado ao lado do Jardim Catuaí. A obra é de responsabilidade da construtora Fórmula Empreendimentos Ltda. O prazo de conclusão do serviço é de 18 meses.
"Temos 7,5 mil famílias vivendo em condições de vulnerabilidade em Londrina. Ousamos construir esse número de moradias e realizar 1 mil regularizações fundiárias", afirmou o prefeito Alexandre Kireeff (PSD). Para auxiliar esse processo, ele assinou ontem um decreto que normatiza metodologias para mudança de áreas para construção de conjuntos habitacionais.
O residencial será composto por três tipos de moradias: casas, sobrados geminados e prédios de dois ou três andares. Os imóveis terão plantas com 39 ou 41 metros quadrados. O empreendimento também contempla área comercial.
O Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) destina uma parcela da verba para execução dos equipamentos públicos no novo bairro. O conjunto terá três creches, um colégio estadual, uma escola municipal e uma unidade básica de saúde (UBS). "A falta de equipamentos públicos tornou o Vista Bela um modelo de como não fazer, aprendemos com isso e adequações foram feitas no programa habitacional", definiu o superintendente da Regional Norte da Caixa, Elcio Lara. "Temos o compromisso de fazer habitações com qualidade e agora com enxoval, repleto de equipamentos públicos", ressaltou o vice-presidente de Operações da Caixa, Carlos Roberto Nogueira.
A Cohapar entra com aporte de cerca de R$ 6 milhões, além da rede de água, fiação e energia elétrica. "Agora iniciamos outra etapa. Existe o projeto para execução de um outro conjunto habitacional na região norte, também composto por 1,2 mil moradias, mas voltado para famílias de três a cinco salários mínimos", explicou o presidente da Cohapar, Mounir Chaowiche. "Esse empreendimento pode ficar ao lado do Flores do Campo. A região está crescendo bastante e é impulsionada pela extensão da (avenida) Saul Elkind", adiantou o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann.

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